O jornal não morreu

Estadão

22 de setembro de 2006 | 10h59

No mês passado, a bíblia britânica da informação econômica, a revista The Economist, constatou: o jornal está morrendo. A internet está matando a forma mais tradicional de mídia. Nas próximas décadas, metade dos jornais dos países ricos vai falir. A tiragem dos diários está caindo ou sobe muito pouco. No Brasil, não é diferente. Todos os grandes jornais, O Estado inclusive, lutam para ganhar leitores.

Mas a Índia mostra que o jornal pode, sim, sobreviver. A Índia é um dos poucos países do mundo onde a circulação dos jornais diários está crescendo de forma vigorosa – cerca de 10% ao ano. O país tem 40 jornais em inglês e línguas locais como telugu, hindi, rajasthani, gujarati, etc. Com 78,7 milhões exemplares vendidos por dia, a Índia é o segundo maior mercado mundial para jornais (atrás da China, com 96,6 milhões). No Brasil, em que pese a diferença no número de habitantes, são vendidos diariamente apenas 6,8 milhões.

Juntos, os três maiores jornais indianos de língua inglesa (Times of India, The Hindu, Hindustan Times) têm uma circulação de 4,5 milhões. (só para comparar, juntos, Estado, Folha e o Globo tem circulação diária de pouco mais de 1 milhão de exemplares).

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Os dois principais jornais em hindi (Dainik Jagaran e Dainik Bhaskar) vendem ainda mais –
4 milhões por dia cada um.

“Muitos indianos só liam em sua língua local e agora passaram a ler em inglês”, explica-me um dos editores do The Hindu. Além disso, a Índia, que tem 40% (!!!) de analfabetos, tem um grande potencial para aumento de leitores, diz.

A fórmula dos jornais indianos é cortar drasticamente o preço dos jornais – o Times of India é vendido por 1,5 rúpia (cerca de 1 centavo de real), um prejuízo de 10 rúpias por exemplar (50 centavos)- para aumentar a circulação e publicidade.

Foto: Patrícia Campos Mello

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