O fiasco do prefeito da América

Estadão

30 de janeiro de 2008 | 00h21

Rudy Giuliani fez uma aposta ousada – e perdeu.

O prefeito da América, que começou como o favorito entre os candidatos republicanos, terminou em um melancólico terceiro lugar ontem, na primária da Flórida. Giuliani resolveu “pular” a primárias iniciais (Iowa por causa do eleitorado conservador, que não engole as posições pró-aborto e os três casamentos dele) e se concentrar na Florida.

Estratégia audaciosa e furada.

Ontem de manhã, fui acompanhar Giuliani num “meet and greet” numa cafeteria ao norte de Miami, estilo lanchonete nova-iorquina, com direito a sanduíche da pastrame. Foi melancólico.

Não tinha mais que 30 pessoas lá. “Tem mais imprensa do que gente”, como se diz no circuito das campanhas.

Eram 30 fãs bem animados, exilados nova-iorquinos. Mas deu pra ver porque a campanha dele não decolou. Ele aperta a mão dos eleitores rapidamente e mal olha pra eles. Não deu discurso nenhum. E a equipe de segurança dele está ali com a do Bush. Ou melhor, eles são mal-educados, enquanto os seguranças do Bush são apenas estressados (com razão, acredito).

Rosemary Terracone era uma das giulianetes que estava na lanchonete. “Giuliani consertou Nova York, a gente vivia com medo e ele acabou com a violência”, dizia Rosemary que, apesar do autêntico bronzeado Miami, é uma verdadeira nova-iorquina do Bronx.

Rosemary ficou meio decepcionada. Giuliani apertou sua mão rapidamente e já saiu andando. E, pior, os seguranças empurraram Rosemary. “A senhora precisa sair daí, o prefeito vai passar”, disse um segurança, com a habitual truculência da entourage de Giuliani. “Qual é o seu problema? Eu só quero apertar a mão do prefeito!”, dizia Rosemary.

Outro que ficou frustrado foi o Carlos Muñoz Fontanills, um dos organizadores da campanha de Rudy na Flórida, que é a cara do Kim Jong-Il , só que ruivo.

Ele tentou em vão dar ao prefeito da América um dos folhetos que fez para a comunidade cubana. “El 29 de Enero despegamos en la Florida Rumbo a White House” (No dia 29 de janeiro decolamos da Florida rumo à Casa Branca), eram os dizeres do folheto, acima de uma foto de um avião AirGiuliani. Foi ignorado.

No final, Giuliani sentou-se para comer uma tigela de cereal com passas e tomar uma xícara de café.

Transparecia tranqüilidade, enquanto bochechava o café para tirar um renitente cereal dos dentes.

Resta saber se ele vai cair fora antes da Super Terça (NY vota nesse dia) ou amanhã mesmo. A aposta é que Giuliani vai apoiar o John Mc Cain – o que será uma boa ajuda em NY, pelo menos.