O conselho de assessores de Dilma

Estadão

25 de agosto de 2010 | 04h16

Caso eleita, Dilma Rousseff pretende criar um grupo de conselheiros no Palácio do Planalto, conforme a mostra matéria da Vera Rosa e da Beatriz Abreu, publicada hoje. A ideia guarda semelhança com o núcleo de assessores especiais da Casa Branca, mas já enfrenta resistência por parte de ministros e secretários de Estado que ouviram a proposta. O projeto de Dilma é escalar um time de auxiliares em áreas estratégicas, como Economia, Assuntos Internacionais, Meio Ambiente, Minas e Energia, Comunicações, Justiça e Segurança Nacional. Os conselheiros se reportariam diretamente a ela e teriam assento no primeiro escalão. Trata-se, na prática, de uma estrutura de apoio ao gabinete da Presidência.
No governo dos Estados Unidos, os conselheiros especiais da Casa Branca são alvo de críticas. O presidente Barack Obama nomeou 31 conselheiros especiais, ou czares, como são conhecidos nos Estados Unidos. Há uma czar para a reforma da saúde, um para aids, para recuperação das montadoras, problemas na fronteira, combates às drogas, recuperação da economia, reforma regulatória, mudança climática, e por aí vai. A crítica é que Obama teria lançado mão de assessores especiais para escapar do escrutínio do Congresso. Todos os secretários, equivalentes a ministros, e chefes de órgãos executivos precisam ser sabatinados pelo Senado, que pode confirmar ou não o indicado no cargo. A oposição republicana no Congresso rejeitou vários nomes indicados por Obama e muitos estão “bloqueados” há meses.
Já os assessores especiais não precisam ser confirmados pelo Senado, basta a nomeação do presidente. “Obama tem mais czares que os Romanovs, que reinaram por três séculos”, alfinetou o senador republicano John McCain, referindo-se à família real russa.
Jim Jones, titular do Conselho Nacional de Segurança, tem o cargo equivalente a Marco Aurélio Garcia, assessor especial da presidência – embora o brasileiro tenha bem mais influência sobre o presidente do que seu contraparte americano.
O czar cuida de um tema específico, tem um orçamento próprio e dá assessoria diretamente ao presidente. Desde Franklin Delano Roosevelt, vários presidentes americanos tiveram “czares”. Mas Obama bateu recorde no número de nomeações.
Outra crítica é que a proliferação desses assessores especiais esvazia as atribuições dos ministros, e às vezes assessores e ministros batem de frente. Dennis Blair, ex-diretor de inteligência nacional , foi o primeiro nome de primeiro escalão a deixar o governo Obama, em maio, depois de vários atritos com John Brennan, o czar de antiterrorismo da Casa Branca.
Além dos chamados czars, Obama tem três conselheiros especiais – David Axelrod, que foi coordenador da campanha do então-candidato e é o funcionário mais próximo do presidente; Valerie Jarrett, amiga dos Obamas desde Chicago; e Pete Rouse, que foi chefe de gabinete de Obama no Senado.

Tudo o que sabemos sobre:

dilmaEstados Unidosgovernoobama

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.