No império do "spin"

Estadão

14 de abril de 2010 | 15h55

Foi um enorme evento de relações públicas, com direito a um comunicado anódino, sem valor legal, muito aperto de mão e sorriso para foto. O presidente Barack Obama convocou 46 líderes de diversos países para assinar um documento dizendo: queremos que os terroristas fiquem longe de armas nucleares.
Como se diz por aqui: Duh!
Quem é contra manter armas nucleares longe dos terroristas???
Mas o plano era exatamente esse. O presidente americano, desesperado para emplacar alguma vitória em política externa (depois dos fiascos de sua política de fazer amigos e influenciar pessoas) organiza uma reunião sobre um tema absolutamente não-polêmico. Aí, fecha as plenárias para a imprensa – o único discurso televisionado foi o seu. Obama foi a única estrela do convescote. O presidente americano tem vários encontros bilaterais para discutir o que realmente interessa aos EUA – o Irã. Nenhum jornalista têm acesso aos bilaterais. A Casa Branca depois se limita a divulgar “readouts” lacônicos e sem substância.
O encontro mais esperado, com o presidente Hu Jintao, levou uma hora e meia. Mas nem um encontro dessa importância mereceu coletiva de imprensa. Em vez disso, um assessor da Casa Branca deu um briefing, onde apresentou a versão americana. A Casa Branca disse enfaticamente que a China havia concordado em negociar sanções contra o Irã no Conselho de Segurança da ONU. Mas isso não foi exatamente o que Hu disse, no dia da reunião, e na manhã seguinte. Segundo porta-voz do ministério das relações exteriores, a China ainda prefere negociações diplomáticas a sanções contra o país que fornece aos chineses 12% do petróleo que eles consomem.
É o paraíso do chamado “spin”. Spin, segundo o Merriam Webster, é a prática de “manipular a maneira pela qual um evento é visto pelos outros”.
Treme
Nessa correria toda, ainda não assisti à estreia do Treme, a nova série da HBO de David Simon, o gênio que criou a série The Wire. Enquanto the Wire tratava sobre tráfico de drogas, polícia, políticos e escolas em Baltimore, Treme se concentra em música e luta para viver em New orleans.
Volto com mais detalhes.

Desculpas
Peço desculpas pela ausência prolongada. Estive no Brasil por um período, mas agora volto a escrever, e com mais frequência.

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