New Yorker na lista negra

Estadão

21 de julho de 2008 | 12h39

A campanha do Obama vetou um repórter da revista New Yorker que queria acompanhar o candidato no giro Europa-Oriente-Médio. Segundo o jornal inglês The Guardian, o repórter Ryan Lizza, da sucursal da New Yorker em Washington, não conseguiu uma vaga no avião de Obama, que está levando 50 jornalistas.

Na semana passada, a revista saiu com uma capa que “desagradou” a campanha do Obama, para usar um eufemismo. A capa mostra o candidato e sua mulher, Michelle, vestidos de terroristas muçulmanos no Salão Oval. Obama aparece de turbante e vestimentas árabes, fazendo o “cumprimento terrorista” com uma Michelle de cabelo black power e metralhadora AK-47 no ombro. O potencial primeiro-casal é retratado em um Salão Oval onde uma bandeira americana queima na lareira e uma foto de Osama Bin Laden está pendurada na parede. Segundo a revista, o objetivo da ilustração, chamada de “A política do medo”, era fazer uma sátira sobre os boatos que a direita espalha sobre Obama. “A capa satiriza as táticas do medo e desinformação usadas na eleição para desestabilizar a campanha de Barack Obama”, dizia um comunicado à imprensa.

Mas a campanha de Obama não achou nenhuma graça na piada. Bill Burton, um dos porta-vozes da campanha, divulgou o seguinte comunicado. “A revista New Yorker pode achar, como uma pessoa da equipe deles nos explicou, que essa capa é uma crítica humorística da caricatura do senador Obama que a direita tenta criar. Mas a maioria dos leitores vai encara esta capa como uma coisa de mau gosto e ofensiva. E nós concordamos.”

A campanha do Obama argumenta que simplesmente não tinha lugar para o jornalista da New Yorker no avião. Uma blogger do Huffington Post, Rachel Sklar, aponta para o perigo desse tipo de retaliação contra coberturas negativas. Olho por olho, dente por dente. Se já estava difícil conseguir acesso à campanha, agora então…

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