Momento 007 em Caracas

Estadão

02 de agosto de 2010 | 22h18

O presidente Hugo Chávez regulou o câmbio venezuelano em janeiro. Para bens essenciais como alimentos e remédios, são 2,6 bolívares fortes para US$ 1. Para todo o resto, são 4,3 bolívares por dólar. Mas falta dólar no país e o mercado negro floresce. No paralelo, um dólar vale sete, oito bolívares. Em maio, o mercado paralelo, ou livre, foi novamente reformulado por Chávez, depois de o dólar bater em 8,2 bolívares. Mas tudo continua nas sombras, embora quase todo mundo recorra a essas trocas paralelas.

Resolvi trocar dólares pela taxa mais vantajosa de 7 bolívares. Perguntei ao balconista do hotel. O sujeito baixou os olhos e disse– se você quer trocar dólares, fale discretamente com uns dos botones , os carregadores de mala.
– Gostaria de trocar dólares.
– Ah, a senhora sabe que não é permitido, é uma coisa complicada.
– Sei sim.
– Quantos dólares?
– 300.
– Me espere aqui que já volto.
Dez minutos depois, Iván está volta.
– Siga-me.
Entramos no elevador do hotel.
– Me mostre o dinheiro
A porta do elevador se abre. Entram três chineses. Iván faz um sinal com os olhos.
Saem dois chineses.
Sai o último.
– Aqui, conte o dinheiro.
– Está certo, 2100 bolívares.
Abre a porta do elevador, entram dois russos.
Saem.
Trocamos o dinheiro, rapidamente.
O botones sorri.
Descubro, mais tarde, que estão trocando dólar a oito bolívares. Humpf.
Pátria, socialismo ou morte, são os dizeres no muro perto do hotel.
Foi efêmero meu momento 007 em Caracas.

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