Michael Jackson e a praga da tarja preta nos Estados Unidos

Estadão

26 de junho de 2009 | 17h18

Há uns dois meses, resolvi ir no pronto socorro porque tinha uma febre de 40 graus que não baixava e minha garganta estava inflamada. Fui ao hospital porque era bem mais fácil do que marcar consulta aqui, com esse sistema de saúde maluco. Bom , cheguei no PS, esperei um pouco para ser examinada por um médico, e saí de lá com duas receitas – uma de antibiótico e uma de Percocet.

“Isso é um remedinho pra dor, toma dois agora que vai melhorar”.

Tomei dois. Cheguei em casa conversando com os Teletubbies. Comecei a ficar tonta, imaginar coisas, minha fala ficou pastosa.

Mas que raio de analgésico é esse?

“Analgésico potente, opiáceo, pode causar dependência”, me disse a internet.

Ou seja, entro no PS com dor de garganta e saio com um analgésico opiáceo tarja preta.

Como já tinha mostrado Heath Ledger, alguma coisa está errada com o sistema. Agora, há suspeita de que Michael Jackson tenha morrido depois de receber uma injeção do analgésico Demerol, outro analgésico opiáceo.

Segundo a Agência de Combate a Drogas dos Estados Unidos (DEA, na sigla em inglês), 8.500 pessoas morreram por causa de analgésicos tarja preta em 2005 – último ano para o qual há estatísticas. Isso representa um aumento de 114% no número de mortes desde 2001. De acordo com a DEA, há 6,9 milhões de viciados em remédios sob prescrição médica (dados de 2007).
Quase um terço das pessoas que começaram a usar drogas no ano passado afirmaram que sua primeira droga foi um remédio vendido sob prescrição médica. Desses, 19 % relataram ter usado um opióide.

“Remédios de tarja preta estão matando gente todo dia, mas nós só ficamos sabendo quando morre alguém famoso”, disse o patologista forense Cyril Wecht, professor da Universidade de Pittsburgh.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.