Meu bebê é burro, quero meu dinheiro de volta

Estadão

24 de outubro de 2009 | 16h09

Tem algumas notícias no jornal tão bizarras que são dez vezes melhores do que qualquer ficção. Nesta semana, deparei-me com duas desta categoria “não dá para inventar essa porcaria”, como dizem por aqui.

A primeira: a Walt Disney Company está reembolsando todos os consumidores insatisfeitos de seus produtos “Baby Einstein”. Ou seja, caso seu filho tenha assistido a um desses vídeos e não tenha virado um gênio, peça seu dinheiro de volta. Aqueles zilhares de DVDs que deveriam ser fermento intelectual para bebês de três meses, surpresa, não funcionavam. Certas estavam minhas amigas mais naturebas, egressas da Waldorf, que não deixavam seus filhos assistirem à TV. A Disney só resolveu reembolsar os consumidores depois de uma longa campanha de ativistas que se opunham ao marketing duvidoso dos brinquedos pseudo-educativos. Esses ativistas querem que outras empresas de vídeo pra bebês sigam o exemplo da Disney.
A academia americana de pediatria recomenda zero de televisão para crianças abaixo de 2 anos.

A segunda: a Suécia vai começar a incluir nos rótulos de alimentos seu “rastro de carbono”, ou seja, qual a emissão de poluentes resultante da produção de cada alimento. Para os ecológicos suecos, recomenda-se comer cenouras em vez de tomates ou pepinos (os dois últimos precisam ser cultivados em estufas aquecidas, consumindo mais energia). E não deveriam comer mais peixe, apesar de ser saudável – porque os estoques europeus estão muito baixos.

Quer dizer, antes de comprar alguma coisa no superm,ercado, favor verificar: se tem gordura trans, se tem sódio demais, qual a quantidade de carboidratos, e proteínas, se é orgânico ou não, se o boi era alimentado de pasto, qual a emissão de poluentes do alimento, se é resultante de “fair trade”, se apoia o boicote a Burma
…nossa, já perdi a fome.

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