Levando Joe Biden (um pouco mais) a sério

Estadão

15 Outubro 2009 | 14h43

Até poucos meses atrás, a principal função do vice-presidente Joe Biden era manter os humoristas americanos empregados. O presidente Barack Obama rendia pouco para os comediantes, mas Biden e suas gafes compulsivas eram material farto. Agora, longe de ser apenas matéria-prima para piada, o vice-presidente está se tornando uma voz cada vez mais importante na Casa Branca. Com sua ampla experiência em política externa e inúmeras visitas ao Iraque e Afeganistão, Biden tem sido mais ouvido pelo presidente Obama.

Ele não teve muita ressonância em março, quando expôs pela primeira vez suas ressalvas em relação a uma escalada de tropas no Afeganistão. O vice-presidente propôs que os EUA se foquem em operações de antiterrorismo contra a Al Qaeda, em território afegão e no vizinho Paquistão – e não reduza o número de tropas, mas também não envie mais soldados, como quer o comandante Stanley McChrystal. Mas agora, ele não é mais o único a questionar a estrtaégia de contra-insurgência no Afeganistão – e tem sido ouvido mais atentamente por Obama.

Uma reportagem do Washington Post chegou a comparar Biden com o ex-presidente Dick Cheney, por sua crescente influência. Biden ainda está longe de ter o status de “poder paralelo” que tinha Cheney, mas definitivamente está sendo levado mais a sério.

Sua atuação não se restringe às guerras do Afeganistão e Paquistão. Sua necessidade de dizer o que pensa – que muitas vezes o levou a incontinências verbais – passou a ser um ativo. Enquanto Obama é mais quieto e gosta de ouvir, Biden costuma fazer muitas perguntas e expor o que pensa. A dupla faz a dinâmica “good cop – bad cop” enquanto Obama banca o bonzinho, Biden fala grosso.

Além disso, Obama valoriza a capacidade de Biden de discordar dele – o presidente sempre disse que não queria se cercar de puxa-sacos.

Mas sua lealdade não está nunca em dúvida, apesar de os dois não serem particularmente próximos. Têm personalidades muito diferentes – Biden fala pelos cotovelos e é caloroso; Obama é cool, ouve mais que fala e tem as emoções sob controle.