Lá vem o bocão

Estadão

11 de setembro de 2008 | 18h27

Demorou, mas o vice de Obama, Joe Biden, começou a fazer jus ao seu título de “rei da gafe”. No começo da semana, em um comício no Missouri, Biden quis homenagear o senador estadual Chuck Graham e disse: “Chuck, levante-se para as pessoas poderem vê-lo”, disse. Chuck Graham é paraplégico e estava numa cadeira de rodas.

Quando ele se deu conta do fora, Biden disse – “Oh, o que eu estou falando? Vamos então todos nos levantar para saudar Chuck.”

Na quarta-feira, no afã de elogiar sua colega de senado Hillary Clinton, ele voltou a cometer uma das suas escorregadelas. “Hillary Clinton é tão qualificada como eu, ou até mais, para ser vice-presidente dos EUA”, disse o bem-intencionado incontinente verbal. “Para ser honesto, talvez ela tivesse sido uma escolha melhor que eu.”

Ai Jesus.

Enquanto isso, os republicanos estão instilando todo o seu veneno e apelando para as táticas condenadas por John McCain na eleição de 2000, quando ele foi alvo da baixaria. Durante um comício, Obama usou uma expressão comum em inglês para dizer que não adianta McCain e Sarah Palin afirmarem que personificam a mudança – “Não adianta passar batom no porco, ele continuará sendo um porco”.

Sarah Palin tinha feito uma piada em seu discurso da convenção, dizendo que a diferença entre uma “mamãe do hóquei” e um pitbull era o batom.
Batom por batom, foi o suficiente para os republicanos dizerem que Obama tinha chamado Palin de porca e feito um comentário machista – e lascar um anúncio na TV sobre isso.

Em outro anúncio, digamos, distorcido, os republicanos dizem que Obama apóia a educação sexual para crianças que ainda nem sabem ler. Na verdade, o senador democrata apoiou uma lei que prevê educação sexual apropriada à idade para crianças de jardim de infância, com o objetivo de evitar abuso sexual.

Os fatos podem ser teimosos, mas esta eleição é o paraíso da versão.

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