Katrina: parece que foi ontem

Estadão

27 de janeiro de 2007 | 23h02

“Se você passar do lado de alguém e a pessoa não sorrir e disser ‘bom dia, tudo bem?’, pode ter certeza, a pessoa não é daqui”, explica-me Barbara Robichaux, ela mesma uma simpática e prestativa nativa de New Orleans.

Estou passando uns dias aqui na capital do jazz, do Gumbo, de Louis Armstrong. Agora, infelizmente, New Orleans é a capital do indelével Katrina.

Já se passaram 17 meses desde a tragédia. Mas parece que foi ontem. A paisagem é nuclear. Metade da cidade, sem exagero, está abandonada. Casas vazias, destruídas, lixo, destroços, Wal-Marts e Mc Donalds abandonados….a maioria das pessoas foi embora e nunca mais voltou. Não tem onde morar, porque a reconstrução é tão lenta, que não há apartamentos disponíveis. Muita gente está morando em trailers – nunca vi tantos trailers na vida…

Mesmo o French Quarter, o coração da cidade, está sofrendo. Várias lojas fecharam as portas, antiquários estão para alugar, restaurantes às moscas. Isso porque que o charmoso centro histórico não foi tão afetado: recebeu dois a três pés de água, como se diz por aqui, ou seja, a enchente chegou a 60cm, 90 cm. Na maioria de New Orleans, a água chegou a 2 metros.

É uma visão desoladora. A população da cidade caiu pela metade. E Bush nem sequer mencionou o Katrina em seu discurso sobre o Estado da Nação. Os sorridentes creoles estão muito, muito tristes.

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