Ironia dívida-PIB

Estadão

14 de junho de 2009 | 22h08

Eu me lembro bem da época em que o Brasil queria ser “um país gente grande” e ganhar o selo de qualidade “grau de investimento”. Vira e mexe ia um economista gringo para São Paulo e pontificava – a relação dívida-PIB do Brasil é muito alta, o país é muito arriscado.

Anos e inúmeras debacles de escala global depois, a Standard & Poor’s e a Moody’s andam à procura da credibilidade perdida, o Brasil é grau de investimento, e os países emergentes parecem cada vez mais seguros.

O FMI divulgou um estudo na semana passada sobre endividamento pós-crise global. No ano que vem, a relação dívida-PIB dos 10 países mais ricos do G20 será de 106%. Isso mesmo, 106%. Já os emergentes que fazem parte do G20 (como Brasil,Argentina, México)tinham relação dívida-PIB média de 38% em 2007, e ela deve cair para 35% em 2014, ou seja, menos de um terço do índice nos países ricos.

E a remuneração dos títulos do Tesouro americano continua subindo.

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