Irã: sanções, intervenção militar ou contenção?

Estadão

18 de abril de 2010 | 11h43

A discussão sobre sanções contra o Irã por causa de seu programa nuclear foi super-simplificada. Lendo os jornais, a impressão que se tem é que há apenas duas possibilidades: aplicar sanções contra o Irã no Conselho de Segurança da ONU, como pregam EUA e França enfaticamente, ou não aplicar sanções, como pedem Brasil, Turquia, e ainda a China, apesar de recentes sinalizações.
A realidade é muito mais complexa. Um resultado bastante provável é a China e a Rússia acabarem concordando finalmente com as sanções – mas como eles se opõem a qualquer medida que interromoa exportação de gasolina aos iranianos, ou atinja os bancos, a ONU acabaria impondo sanções que não têm “bite”, como se diz por aqui.
Foi isso o que ocorreu com as três sanções anteriores contra o Irã aprovadas pelo CS. A China e a Rússia fizeram que fizeram, que o CS só aporovou um texto de sanções inócuas.
Enquanto isso, dentro dos EUA, as posições vão se radicalizando. A turma mais radical que prega intervenção militar no Irã voltou a entrar em evidência. O pessoal do “bomb bomb bomb Iran” está de volta, eles acham que só sanções fraquinhas vão passar pelo crivo da China e Rússia..
E mais à esquerda, já se fala abertamente no “impensável”, ou seja, desenhar uma estratégia de contenção para um Irã nuclear. “`Eu acredito que o Irã vá fabricar a bomba, mas é muito pouco provável que os iranianos queiram usá-la para algo que não seja dissuasão”, diz Thomas Schelling, especialista em armas nucleares e teoria dos jogos que ganhou o Nobel.“O raciocínio iraniano é que ter armas nucleares vai dissuadir os EUA ou Israel de os atacarem. Jeffrey Lewis, diretor de Estratégia Nuclear da New America Foundation, afirma que já está na hora de os EUA passarem do foco na não- proliferação para a estabilidade nuclear do Irã.

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