Invasão chinesa no FMI

Estadão

25 de abril de 2009 | 13h18

Na quarta-feira à tarde, funcionários do Fundo Monetário Internacional (FMI) promoveram uma entrevista coletiva para explicar os Direitos Especiais de Saque (DES). Quase metade dos jornalistas presentes eram chineses, que não pararam de fazer perguntas. O assunto era especialmente interessante para eles, porque o presidente do Banco Central chinês, Zhou Xiaochuan, sugeriu que o DES seja a nova moeda de reserva mundial, como alternativa ao dólar. Mas a entrevista era apenas o reflexo de uma nova realidade: há uma invasão chinesa nas reuniões do Fundo Monetário Internacional.

O número de jornalistas chineses registrados para a reunião de primavera deste ano quase quadruplicou – são 43, diante de 12 no ano passado. Como comparação, não passam de 10 os jornalistas brasileiros registrados. O papel da China como emprestador de última instância – o país vem concedendo empréstimos a países como Jamaica e Argentina – e o anúncio da contribuição de US$ 40 bilhões do país para o Fundo fizeram o interesse dos chineses pela reunião crescer muito. “Os chineses estão muito animados porque agora é o momento de a China aumentar sua influência no mundo”, diz Zengxin Li, correspondente da revista Caijing em Washington.

A última capa da revista foi dedicada à reunião do G-20 em Londres e agora Li está escrevendo várias matérias sobre a reunião do Fundo e a atuação da China na reforma do organismo. Segundo Li, os rumos da economia mundial e a criação de uma nova moeda de reserva são a grande preocupação dos chineses. Afinal, explica ele, “metade das reservas de US$ 2 trilhões da China estão em dólar, e com o déficit americano aumentando de forma astronômica, por causa dos planos de resgate, o dólar fatalmente vai se desvalorizar muito.”

Desde o início da crise mundial, a agência de notícias oficial chinesa, Xinhua News, e o jornal China Daily aumentaram o número de correspondentes em Washington. A Xinhua News tem mais de 15 jornalistas cobrindo a reunião do Fundo. “Eu não paro de receber pedidos de entrevista dos chineses, que antes não se interessavam muito”, disse um funcionário do Fundo.

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