Inimigos do sol, tricoteiros adolescentes e casados pela internet

Estadão

21 de setembro de 2007 | 13h27

Você sabia que mais de 3 milhões de pessoas que se conheceram por sites de paquera na internet acabaram casadas? Você já ouviu falar no mercado de roupas com proteção solar, que movimenta US$ 180 milhões por ano? Você acredita que mais de 6 milhões de adolescentes americanos tricotam ou fazem crochê regularmente?

Essas informações peculiares fazem parte do livro “Microtrends – the small forces behind tomorrow big changes” (Microtendências – as pequenas forças por trás das grandes mudanças de amanhã), recém-lançado aqui nos EUA. O autor é Mark Penn, presidente da multinacional de relações-públicas Burson Marsteller e estrategista da campanha da Hillary Clinton, pré-candidata democrata à presidência dos EUA.

Penn examinou minuciosamente inúmeras pesquisas sobre hábitos de consumo, religião, relacionamentos sexuais, etc dos americanos, e identificou 70 “microtendências”.
Ele diz que essas microtendências são determinantes, porque 1% da população nos EUA já corresponde a 3 milhões de pessoas, um grupo significativo.

Uma das microtendências é a dos “Casados pela Internet”. Por aqui, não é só gente esquisita ou nerd que “paquera” pela internet. Penn cita uma pesquisa da Pew de 2006, segundo a qual 61% dos americanos não acha que paquerar pela internet é coisa de gente “desesperada”. Acho que no Brasil ainda tem um certo preconceito – mas posso estar errada.

Outra microtendência são os “inimigos do sol”. Da mesma maneira que a cruzada anti-fumo surgiu nos anos 70-80 e os radicais de alimentos orgânicos ganharam destaque nos anos 90 e 2000, os “inimigos do sol” estão em ascensão hoje em dia.

Ao lado daquelas tostadas de Miami e habituès de salão de bronzeamento artificial, tem um pessoal que só sai na rua com roupa que vem com filtro solar, manga comprida e chapéus de abas enormes. É um nicho de mercado – lançaram até um produto chamado Sunguard, que você coloca junto com o sabão em pó e cria uma camada de filtro solar em suas roupas.
Outra microtendência surpreendentes são os adolescentes tricoteiros. Não se imagina que, nessa era de iPods e videogames ubíquos, a moçada gaste tempo fazendo crochê e tricô. Pois são mais de 6 milhões de adolescentes entre 13 e 16 anos aqui nos EUA que tricotam ou fazem crochê regularmente. Tem até uma revista Vogue Knitting para tricoteiros com menos de 25 anos e vários encontros de tricoteiros jovens.

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