Grandes expectativas

Estadão

10 de dezembro de 2008 | 16h08

O grande problema da eleição histórica de Barack Obama são as expectativas estratosféricas.

A esquerda do partido democrata já começa a se decepcionar com as indicações centristas de Obama, como Hillary Clinton para secretária de Estado e o general Jim Jones para Conselheiro de Segurança Nacional (ele é amigo próximo de John McCain). A manutenção de Bob Gates como secretário de Defesa também desagradou aqueles que esperavam uma retirada mais rápida do Iraque.

Nesta semana, na conferência do clima em Poznan, foi a vez dos ecologistas se decepcionarem. Obama se elegeu como defensor dos empregos verdes e comprometido em reverter a política de cegueira de Bush em relação ao aquecimento global. Mas as propostas do governo Obama para redução de emissão de gás carbônico são ainda mais conservadoras do que o protocolo de Kyoto (que os EUA não assinaram). E em meio à maior crise financeira desde os anos 30, é difícil mesmo que Obama concorde com políticas ambientais com altíssimos custos para a indústria americana .

Outros frustrados são os eleitores que esperam do governo Obama uma nova era de ética na política. O episódio Rod Blagojevich – o governador democrata foi preso tentando vender a vaga de Obama no senado – lembrou aos eleitores que apesar da eleição de Obama, a sujeira na política continua por aí, seja entre democratas ou republicanos. Obama não está envolvido no escândalo de corrupção, mas o fantasma da política suja de Chicago (quatro governadores do Illinois foram presos nos útlimos 40 anos) pode voltar para assombrá-lo.

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