Goldman Sachs vendeu "monte de porcaria", "lixo" e "negócio de m…."

Estadão

27 de abril de 2010 | 21h25

Estava imperdível a audiência da comissão de investigação do Senado com executivos da Goldman Sachs, incluindo o CEO Lloyd Blankfein. Foram mais de nove horas de massacre. O líder da comissão, senador Carl Levin, democrata, estava no auge de seu zelo populista, e nem queria ouvir respostas – não que os traders estivessem dando alguma. Mas os e-mails, ah os e-mails, foram a melhor parte.
Levin divulgou e-mails em que os executivos da Goldman chamavam de “monte de porcaria”, “lixo” e “negócio de merda” os produtos que vendiam a seus clientes. E-mails e documentos mostram também que enquanto vendiam os “montes de porcaria” a seus clientes, os executivos faziam apostas contra esses mesmos produtos, na chamada posição “short”, apostando que os papeis iam ter queda de valor.
“Você vendeu milhões desse produto mesmo depois de seus funcionários dizerem que era um negócio ‘de merda’ Isso não te incomoda?”, perguntou Levin a Daniel Sparks, que era o chefe da divisão de hipotecas da Goldman nentre 2006 e 2008. Levin se referiu a um e-mail enviado por Thomas Montag, chefe de vendas da Goldman, a Sparks. No e-mail, Montag diz: “Cara, esse Timberwoolf era um negócio de merda. ” O Timberwolf era um produto composto por CDOs, papéis lastreados em hipotecas de alto risco, avaliado em US$ 1 bilhão. Depois de cinco meses do lançamento do produto, os CDOs haviam perdido 80% do valor.” Em outro negócio, um executivo da Goldman, Tetsuya Ishikawa, diz que um cliente não queria comprar um produto porque “ele é esperto demais para comprar este lixo.”
Os executivos questionados pelos senadores não se mostraram arrependidos. “Arrependimento para mim é algo que você sente quando fez algo errado…eu não tenho isso”, disse Sparks. A maioria argumentou que os investidores comprando os papeis eram sofisticados, e sabiam dos riscos. O que, em alguns casos, é verdade mesmo.
O CFO da Goldman, David Viniar, foi autor de um gafe sensacional (um Freudian slip, escorregão freudiano, como se diz por aqui).
Levin perguntou para Viniar o que ele sentiu quando ficou sabendo que, em e-mails, os funcionários da Goldman chamavam de “porcaria” e “lixo” os produtos que tentavam empurrar para os clientes.
“É muito infeliz ter essas coisas registradas em e-mails”, ele disparou.
Ouch.

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