Germes, fungos e micróbios à espreita

Estadão

10 de novembro de 2006 | 20h58

Abro o The New York Times e descubro que um certo Simon Sassoon de Nova York está ganhando a maior grana com o seguinte produto: um desinfetante de maçanetas de portas de banheiro. Trata-se de um aparelhinho que fica borrifando desinfetante hospitalar na maçaneta. Aparentemente, as pessoas morrem de nojo de encostar em maçaneta de porta de banheiro em restaurante, escola, escritório, etc.

Outro produto muito vendido, diz o diário, é uma alça portátil, para que você não precise encostar naquelas barras do metrô ou ônibus. Naquelas onde TODO mundo segura, eca….

Mas o meu favorito é um chamado Excuse Me – trata-se de uma bandeira com uma hastezinha, que a pessoa fixa na cintura. Se alguma pessoa se aproxima demais de você, leva uma bandeirada na cara – “O Excuse Me cria um espaço de 90 centímetros entre você e um possível espirro”, esclareceu ao NYT a criadora do artefato, Emily Beck. “O produto permite que você não tenha que encostar em ninguém e nem falar com ninguém em Nova York.” Presente perfeito para misantropos e hipocondríacos – ou talvez para altruístas que têm mau hálito e não querem que a humanidade sofra.

Os Estados Unidos são uma nação com fobia de micróbios. Trata-se de uma enorme aglomeração de Monks (aquele detetive obsessivo-compulsivo, que passa a vida limpando tudo, da série homônima de TV a cabo). Eles já têm teoria de conspiração para tudo, os hackers das urnas eletrônicas (culparam até o Chávez), o assassino do John Kennedy, a mídia sionista….e também os fungos, vírus e bactérias terroristas…. estão todos à espreita….os germes e o bin Laden querem te pegar…..

Eu já tinha vivido essa histeria anti-germes antes. Morei com uma colega de quarto da Pensilvânia que tinha verdadeiro pânico de infecções variadas. Ela desinfetava tudo a cada cinco minutos. Depois do 11 de setembro, quando houve a ameaça de antraz, eu fiquei encarregada de abrir toda a correspondência por meses – ela tinha certeza de que todas as cartas estavam contaminadas.

E ela me contou – depois descubro que é bastante comum por aqui, segundo o NYT –
que enrolava o dedo em papel higiênico antes de apertar a descarga.

Veio-me à cabeça uma palavra interessante: anal retentive, ou seja, indivíduo que tem retenção anal. Eh, parece um pouco rude, mas as pessoas falam isso aqui, normalmente: Fulano, você é anal! A origem é de fato psicanalítica. Segundo o Webster, uma pessoa anal tem fixação na fase anal, e, como conseqüência, é metódica, com mania de limpeza, compulsiva.

Pois é, Excuse Me pra esse pessoal com retenção.

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