ETs deslumbrados, emolientes para cutículas e armas de destruição em massa

Estadão

27 de outubro de 2006 | 01h01

Eu já disse que por aqui facilitam a vida da gente? Pois assim é, desde que você não seja um forasteiro com a audácia de querer um cartão de crédito.

“Infelizmente, você não pode ter um cartão de crédito, você é NRA”, é a resposta da gentil Jayasaree, indiana de Chennai e gerente do Citibank.

NRA? Quem?

A primeira coisa que me veio à mente foi a National Rifle Association, aquela meiga associação que já foi liderada pelo Charlton Heston e defende os interesses dos americanos com certo apego por suas armas.

Tive ganas de interrompê-la: “Imagine, sou pacifista, onde é que diz no meu histórico que eu defendo o uso de armas???” Mas limitei-me a perguntar – “Eu sou o que?”

NRA – abreviação singela para Non Resident Alien.

Pronto, é oficial: eu não apenas me sinto um pouco ET entre os rosados comedores de muffins, eu sou um ET.

OK, o dicionário inglês-português Michaelis me informa que alien significa alienígena, mas também quer dizer estrangeiro.

Mesmo assim, por que não dizer Non Resident Foreigner? (em bom português, estrangeiro não-residente)

Meus brios sofreram um pouco. Sou um alienígina, e ainda por cima discriminado. ETs não podem entrar no maravilhoso primeiro mundo do crédito rotativo com taxas baixíssimas, pelo menos não com ajuda do Citibank.

Passada a revolta inicial, chego à conclusão que o todo-poderoso Citi sabe o que faz.

Nesta terra onde existem 11 marcas diferentes de emolientes para cutícula na farmácia da esquina, um cartão de crédito pode ser uma arma de destruição em massa nas mãos de um ET deslumbrado.

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