ET phone home

Estadão

31 de agosto de 2006 | 12h31

Foto: Patrícia Campos Mello

Meu super motorista-tradutor Khaja Mohiuddin – ele não fala inglês, mas gesticula de forma eficiente – me levou para conhecer o que seria o supermercado do seu bairro. No caso, era o bazar ao lado da mesquita que ele freqüenta.

Te pego em meia hora

OK

É de se imaginar que, na Índia, país expoente dos BRICs, o centro da TI, lar do Amartya Sen, etc., etc., a visão de uma ocidental não cause estranheza. Bom, é de se imaginar.

Na prática, uma ocidental andando por um bazar não turístico e predominantemente muçulmano em Hyderabad, centro-sul da Índia, é , sim, um ET. Vale explicar que eu era a única ocidental no bazar.

Um grupo de meninos me seguiu por várias quadras. Eles não estavam vendendo souvenirs ou pedindo esmola. Estavam só olhando para minha cara, espantados. Eu era um bicho branco, estranho, de cabelo claro e óculos Ray Ban.

Mulheres de chador me apontavam e davam risinhos.Um senhor puxou meu braço e começou a me perguntar coisas (em hindi?)

Faz muito bem para nossa humildade se sentir um estranho no ninho de vez em quando.