Da próxima vez que voar, leve fraldas

Estadão

27 de dezembro de 2009 | 15h43

Graças ao nigeriano que tentou se explodir no voo 253 Northwest Airlines de Amsterdam para Detroit, usando líquido explosivo e seringa escondidos em sua cueca,em breve todos teremos de voar usando fraldas.

Peguei um voo do Rio de Janeiro para Washington na noite do dia 25, logo depois da tentativa de atentado do terrorista da cueca.

Aparentemente, tudo estava normal. Raio Xis nas malas e uma revista antes de entrar no avião.

Mas a duas horas de pousarmos, ficou claro que o terrorista da cueca, o nigeriano Umar Farouk Abdulmutallab, seria para sempre lembrado por todos que viajam de avião. Da mesma maneira que o terrorista do sapato – depois que Richard Reid tentou explodir uma bomba em seu sapato em dezembro de 2001, todos os passageiros passaram a ser obrigados a tirar os sapatos no aeroporto.

“Queremos avisar que teremos alguns procedimentos de segurança adicionais no voo, e pedimos desculpas pelo incômodo” – informou o comandante da United Airlines. “Dentro de 15 minutos, todos os banheiros da aeronave serão trancados. Ninguém poderá usar os banheiros sob hipótese alguma. Então, por favor, apressem-se.”

Eu pulei da cadeira. Afinal, todos os passageiros do voo teriam 15 minutos, e nenhum segundo a mais, para usar o banheiro. E eu estava apertada. Mas e se alguém tivesse dor de barriga? Paciência, os banheiros estarão trancados, informou-me a aeromoça.
Mas não parou por aí.

“Durante os sessenta minutos finais de voo, ninguém poderá deixar nenhuma bolsa ou objeto debaixo de seu assento. Se precisarem de seus óculos ou remédios, peguem agora, porque depois não poderão mais levantar de jeito nenhum. E nem poderão deixar travesseiros ou cobertores no colo. Iremos diminuir a potência do ar condicionado, para que vocês não passem frio”.

As regras da agência de segurança de transportes dos EUA tentam cercar todos os movimentos do terrorista da cueca.

Pouco antes de o avião da Northwest iniciar o procedimento de pouso em Detroit, o nigeriano Abdulmutallab foi ao banheiro, onde teria preparado seu explosivo líquido. Passou 20 minutos no banheiro. Voltou ao assento e disse estar passando mal do estômago, e se cobriu com a manta.

Pouco depois, um estouro e fogo foram vistos.

Graças a Deus, passageiros agiram para impedir o Abdulmutallab de concretizar seu atentado.

Mas o terrorista da cueca pode ser mais um a entrar para história de como viajar de avião foi se tornando insuportável por causa dos problemas de segurança. Ou melhor: Tire os sapatos e vista a fralda.

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