Crise dos alimentos pode ressuscitar Doha

Estadão

24 de junho de 2008 | 13h19

A inflação mundial de alimentos pode ser uma oportunidade para tirar a rodada Doha da UTI.

Essa é a opinião de Jagdish Bhagwati, economista indiano que cunhou o termo “tigela de espaguete” para o emaranhado de acordos bilaterais que está atravancando o comércio mundial, e Arvind Panagariya, também professor da Columbia e ex-economista chefe do Asian Development Bank.

Em artigo no Financial Times, eles apontam um dos únicos efeitos positivos da alta generalizada dos preços dos alimentos. Com a alta dos preços agricolas, o volume de subsídios agrícolas nos EUA vai cair, já que esses recursos são inversamente proporcionais aos preços. Portanto, apesar de os EUA terem aprovado mais uma Lei Agrícola horrenda, o alto nível dos preços vai acabar reduzindo o volume de subsídios.

E como os preços não devem cair tão cedo, os EUA deveriam ficar mais abertos a um compromisso com redução de subsídios. Em tese, pelo menos. Isso, em contrapartida, iria “amolecer” a posição de países como a Índia, que se opõem terminantemente à retirada do apoio a seus agricultores.

Não sei se isso vai para frente. Mas é bem melhor do que a última gafe do presidente George W Bush, que creditou a inflação de alimentos ao maior consumo de proteínas em países emergentes como Índia e China. Em parte, é verdade. Mas a habitual falta de jeito de W. não ajudou. Indianos, irritados, apontaram para a obesidade dos americanos – se eles fossem magros como os indianos, comessem menos, certamente não haveria inflação de alimentos, disse um pesquisador indiano.

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