Coroando Barack Obama

Estadão

20 de janeiro de 2009 | 22h53

Foi uma cerimônia de coroação, não de posse.

Fãs gritavam “Obama, Obama”, só faltavam pedir bis. Alguns choravam.

Estava um frio de rachar – -8 graus centígrados, sensação térmica de uns -15 centígrados. Os camelôs de “aquecedores de mãos”, um saquinho que se auto-aquece, nunca venderam tanto. Aliás, os camelôs vendiam os suvenires mais bizarros – fantoches do Obama, purificador de ar para automóveis do Obama, camisetas com os dizeres “Obamaholics”, etc.

O pessoal foi para o National Mall “torcer” para o novo presidente – esse era literalmente o sclima. Era gente como a brasileira Ellen Belchior Rodrigues, 25, que mora em Virginia e faz doutorado em Ciências Políticas. Ela foi entrevistada pelo estudante de jornalismo Felipe Figueiredo. ” Com certeza, há essa expectativa do mundo todo em relação ao governo de Barack Obama”, disse a Ellen ao Felipe. Ellen e sua amiga Lorena foram para o Mall com sua bandeira brasileira e uma bandeirinha do Obama.

A despedida de George W Bush foi melancólica. Quando anunciaram o nome dele durante a cerimônia de posse, fiquei arrepiada – achei que estava prestes ao maior momento de vergonha alheia da minha vida, esperava uma vaia estrondosa. Mas o pessoal foi mais contido. Houve vaias aqui e ali, nada extremo.

Mesmo assim, o alívio geral era evidente.”Preparaem-se para tirar seus sapatos”, gritavam alguns quando foi anunciado o nome do presidente de saída – referindo-se ao sapato atirado em Bush por um jornalista iraquiano. Quando o helicóptero de Bush levantou vôo, rumo a seu rancho em Crawford, no Texas, muitos espectadores deram vivas e fizeram adeus com as mãos. “Quero ter certeza de que ele está indo embora mesmo”, disse um.

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