Controle de capitais deixa de ser palavrão

Estadão

21 de agosto de 2006 | 19h05

Que ironia. O Fundo Monetário Internacional acaba de divulgar um estudo onde alguns de seus economistas põem em dúvida os benefícios do livre fluxo de capitais. O Fundo já tinha feito mea-culpa sobre algumas de suas recomendações pós-crise da Ásia, e agora volta-se para um tema que sempre foi anátema nos círculos do FMI e de Washington: controle de capitais. Depois da crise da Ásia, quando a Malásia recusou as “recomendações” do FMI e impôs duríssimos controles de capital, impedindo a saída de recursos, o País foi crucificado pela comunidade internacional de economistas ortodoxos.

No relatório

, Kenneth Rogoff, ex-economista-chefe do FMI, e os economistas Ayhan Kose, Eswar Prasad and Shang-Jin Wei admitem que há pouca evidência sobre os benefícios de uma ampla liberalização da conta de capitais. Segundo eles, os países precisam ter instituições confiáveis, grande abertura comercial, políticas de câmbio adequadas e um mercado de capitais aprofundado para poder se beneficiar da liberalização da conta de capitais (coisa que Barry Eichengreen, de Berkeley, e Dani Rodrik, de Harvard, diziam há muito tempo…mas ouvir da boca dos sábios do FMI é outra coisa)

Portanto, antes de descartarmos as políticas da Argentina ou da China, é bom contextualizar. Ninguém está fazendo apologia do controle de capitais, mas pelo menos os economistas ditos ortodoxos agora se dispõem a discutir os prós e contras.

“The biggest problem is not to let people accept new ideas, but to let them forget the old ones.”
John Maynard Keynes