Condoleezza: culpada por ser solteira e sem filhos?

Estadão

13 de janeiro de 2007 | 17h26

No afã de demonstrar sua oposição à escalada da guerra do Iraque proposta por Bush, alguns Democratas estão errando a mão. Ao questionar a secretária de Estado Condoleezza Rice em audiência no Congresso, a senadora democrata Barbara Boxer foi de uma insensibilidade atroz.

“Quem vai pagar por isso? (pelo envio de mais soldados ao Iraque) Os militares americanos e suas famílias é que vão, Você não vai pagar por isso, não tem uma família próxima”, disse Barbara, referindo-se ao fato de Condoleezza ser solteira e sem filhos.

Ora, é absolutamente compreensível se opor ao envio de mais soldados, mas é desnecessário jogar baixo, insinuar que Condoleeza não está nem aí porque não tem família nem filhos.

“Eu achei que não havia problemas em ser solteira”, disse Condoleezza, no dia seguinte. “Achei que não havia problemas em não ter filhos, achei que eu ainda podia fazer decisões sensatas para o país mesmo sendo solteira e sem filhos.”

Rush Limbaugh, o comentarista conservador que só dá fora, desta vez mandou bem em seu comentário, dizendo que Barbara golpeou Condi, acertando “bem abaixo dos ovários”.

Resta saber se , à parte a retórica agressiva e até cruel, os Democratas vão mesmo fazer alguma coisa para brecar o plano de Bush. Alguns analistas por aqui apostam que os Democratas vão apenas marcar posição e fazer uma oposição simbólica ao plano de enviar mais tropas. Mas, com medo de custos políticos (serem vistos como inimigos dos militares, por exemplo), eles podem acabar não usando suas armas para deter Bush. A saber, as armas seriam: não liberar a verba necessária para o envio de soldados e manutenção da guerra( opção mais remota, porque prejudicaria os soldados que já estão lá lutando); impor várias condições para embarcar no plano de Bush (mais factível) ou estabelecer um sistema intenso de vigilância e prestação de contas (o mais provável).

Alguns acreditam que os democratas vão ficar mesmo só na retórica, para se resguardar – se a estratégia de Bush falhar, sem nenhuma intervenção democrata, a culpa será toda dele, abrindo caminho para uma boa plataforma eleitoral para os democratas em 2008.

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