Como o tapetão pode arruinar as chances dos democratas

Estadão

17 de fevereiro de 2008 | 14h09

Neste país onde ninguém confia em votação eletrônica e Al Gore ganhou mas não levou a eleição de 2000, está se desenhando mais um débâcle eleitoral.

Como Hillary Clinton e Barack Obama estão muito próximos em número de delegados ganhos nas primárias e nenhum dos dois deve chegar ao mínimo necessário, a decisão caberá, muito provavelmente, aos 796 superdelegados. Os superdelegados são cartolas – integrantes do diretório nacional do partido, senadores, governadores, ex-presidentes, etc.

Os dois candidatos estão usando todas as suas armas para conquistar os superdelegados. Mas imagine só a seguinte situação – vamos supor que, no atual andar da carruagem, Barack Obama conquiste o maior número de delegados determinados por voto popular nos Estados. Imagine então que Hillary convença a maioria dos superdelegados a votarem nela. Ela vai ganhar no tapetão.

Certamente seria um péssimo começo para os democratas, que têm tudo para ganhar nesta eleição, diante da baixa popularidade do presidente Bush e do fiasco do Iraque.

Mas eles podem acabar perdendo para eles mesmos.

Figurões do partido já perceberam isso e estão indo a público. Al Sharpton, que estava mais para Hillary do que Obama, afirmou outro dia que os superdelegados deveriam seguir o voto popular. Nancy Pelosi, presidente da Câmara, disse a mesma coisa.

Esses políticos experientes sabem que, caso alguém ganhe no tapetão, vai ser muito difícil unir o partido em torno desse candidato. E como aqui o voto é facultativo, decepcionar a base é receita certa para baixo comparecimento de eleitores – e vitória dos republicanos.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.