Comitê para salvar o mundo, versão 2008

Estadão

16 de novembro de 2008 | 18h40

Em 1999, a revista Time publicou uma capa com o título “O comitê para salvar o mundo: como os ‘três mercadeiros’ evitaram uma crise econômica mundial, até agora”. Os heróis da crise asiática eram o então secretário do Tesouro Robert Rubin (que depois se tornou presidente do conselho do Citigroup, um dos bancos mais afetados pela crise atual); o ex-presidente do Fed Alan Greenspan, que passou de “maestro” e “gênio” para alimentador oficial de bolhas; e Lawrence Summers, que está cotado para ser secretário do Tesouro no governo Obama, se as feministas deixarem (quando era presidente de Harvard, Summers falou que há menos mulheres na área de ciências por razões biológicas).

No final de semana, tivemos aqui em Washington uma tentativa de comitê para salvar o mundo versão 2008, com 20 líderes reunidos para discutir a crise mundial que só piora. A cúpula do G-20 começou alardeada como “a nova Bretton Woods”, mas aí foram baixando tanto a bola do evento, que a reunião nem foi noticiada na capa do the New York Times de sábado.

Nem 8 nem 80.

A reunião não foi um sucesso retumbante, mas as expectativas eram tão baixas que não foi difícil superá-las. O documento lista uma série de recomendações detalhadas e muitas reivinidcações dos emergentes para lidar com a crise mundial. Mas há uma armadilha: apesar de terem incluídos muitos tópicos considerados necessários, a linguagem do documento é vaga o suficiente para dar aos países espaço de manobra para fugir dos comprometimentos.

Se toda essa agenda ambiciosa sair do papel, aí sim poderemos ter um novo comitê para salvar o mundo 2008, com Gordon Brown, Sarkozy e Strauss-Kahn na capa da Time. (E Lula? E Taro Aso? Vai dar uma briga essa capa…)

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