Cidadãos aéreos de segunda classe

Estadão

05 de janeiro de 2010 | 18h54

Voar da Europa para os Estados Unidos se transformou em um transtorno. Vindo de Portugal, passei 2 horas na fila da segurança dentro do portão de embarque – ou seja, depois de meia hora na primeira fila da segurança, antes de ir para os portões, passei outras duas horas em uma segunda fila.

O voo, obviamente, saiu mais de uma hora atrasado.

“As companhias aéreas precisam pedir aos passageiros que venham pelo menos três horas antes do embarque, e cheguem ao portão duas horas antes”, disse-me um dos portugueses responsáveis pela segurança. “Desde o dia 25, todos os voos para os EUA estao saindo atrasados.”

Mas não posso reclamar da gentileza e atenção dos funcionários, tanto em Portugal como nos Estados Unidos. Na imigração em Newark, estavam especialmnente simpáticos.

Não podem dizer o mesmo os cidadãos dos 14 países da lista negra americana, que serão sujeitos a regras mais estritas: Cuba, Irã, Sudão, Síria, Afeganistão, Argélia, Iraque, Líbano, Líbia, Nigéria, Paquistão, Arábia Saudita, Somália e Iêmen. (aliás, estranho incluir Cuba e excluir Egito, de onde vêm muitos extremistas).

Uma grande amiga, jornalista libanesa, já se preparava para enfrentar sua condição de cidadã de segunda classe nos aeroportos americanos. “Eu volto na sexta-feira do Líbano, e estou chateada; é deprimente estar na lista dos 14 países”, ela me disse. “Além disso, acho que se trata de uma lista idiota, só para as autoridades dizerem que estão fazendo alguma coisa.”

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