Churchill: "Os Estados Unidos invariavelmente acertam, depois de terem esgotado todas as alternativas"

Estadão

29 de novembro de 2006 | 13h53

No Financial Times de ontem, o colunista Martin Wolf fez uma análise atilada do resultado das eleições americanas. A derrota republicana nas eleições legislativas do dia 7 de novembro foi uma amostra não apenas da repulsa do povo americano à guerra do Iraque, mas também uma rejeição à política de exportar à força a democracia para outros países.

“A principal característica deste governo tem sido não apenas sua incompetência, mas a rejeição de todos princípios que nortearam a política externa dos EUA após a segunda guerra mundial”, diz Wolf. “A estratégia deste governo tem sido baseada em quatro idéias:a primazia da força, a preservação de uma ordem unilateral, o exercício sem limites do poder americano e o direito para declarar guerras ‘preventivas’ na ausência de ameaças iminentes.”

Para Wolf, os EUA precisam começar do zero e desenhar uma política externa que se adapte à realidade atual. Essa política deve incluir as seguintes idéias: não limitar a atuação externa a uma guerra ao terror, mas trabalhar para a manutenção da prosperidade econômica mundial, incluindo o desenvolvimento do mundo islâmico; admitir que o poder militar é bem menos efetivo do que se pensava e causa uma enorme desconfiança em relação às reais intenções dos EUA; entender que a legitimidade dos EUA está no respeito que o país recebe de outras nações; e, por fim, sim, as instituições multilaterais são importantes, a despeito do desprezo professado pelos EUA. Wolf cita também a importância de se aliar a outros países, em vez de mergulhar em cruzadas de um país só.

Ele alerta para o perigo das alternativas: uma retirada às pressas do Iraque ou um realismo exacerbado e antiquado, eco do século XIX, tampouco serão soluções. E termina num tom otimista, citando a frase famosa de Winston Churchill: “Os Estados Unidos invariavelmente acertam, depois de terem esgotado todas as alternativas”.

“Os EUA devem liderar pelo exemplo, e não pelo uso da força militar; e por sua habilidade de mostrar o caminho, e não por ordens unilaterais.” É isso aí. Vamos começar de novo?

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