Chávez versus Uribe: gente fina é outra coisa

Estadão

23 de fevereiro de 2010 | 22h43

O ponto alto da chamada “Cúpula da Unidade” de Cancún foi um bate-boca de nível nada presidencial. O presidente colombiano Alvaro Uribe disse ao venezuelano Hugo Chavez: “Chávez, seja homem e fale na minha cara”. Ao que Chávez retorquiu: “Vá para o caralho!”
A briga começou quando Uribe pediu para fazer uma intervenção durante o almoço com os chefes de Estado, em que o principal tema foi a reconstrução do Haiti. Os presidentes já estavam no cafezinho quando Uribe pediu a palavra e comparou o embargo dos Estados Unidos contra Cuba, que foi condenado na declaração da cúpula, à decisão da Venezuela de não mais importar produtos da Colômbia. Segundo pessoas presentes à reunião, Chávez respondeu dizendo que a comparação era absurda e passou a descrever o comércio entre os dois países. “Nos acusam de uma agressão, mas nós é que somos agredidos pelo governo colombiano “, disse Chávez, citando as bases americanas na Colômbia.
O estopim foi quando Chávez disse que havia 300 paramilitares entrando na venezuela para assassiná-lo, dando a entender que uribe estivesse envolvido.
Aí que uribe perdeu as estribeiras. “Eu não sou um matador, não sou um paramilitar”, teria respondido Uribe, em fúria.
Chávez disse que ia se retirar do recinto, e o colombiano interveio. “Chávez, seja homem e fique aqui para falar na minha cara; as vezes você me insulta de longe, mas quando está cara a cara não fala”
“Vá para o caralho”, gritou Chávez.
O presidente cubano Raul castro, que estava sentado à esquerda de Chávez, tentou acalmar os ânimos.
O incidente é mais um capítulo na longa lista de bate-bocas em cúpulas latino-americanas. Na Cúpula Ibero-americana em Santiago, no Chile, o rei Juan Carlos da Espanha soltou um “por que não se cala?” para Chávez. O vídeo da irritação real no You Tube se tornou um sucesso instantâneo.
Outro arranca-rabo famoso se deu na cúpula da ONU para o financiamento do desenvolvimento, no México, em 2002. Na ocasião, o então-presidente mexicano Vicente Fox disse ao então-presidente cubano Fidel Castro: “Você come e depois vai embora”. Fox queria evitar que Fox e o ex-presidente americano George W Bush ficassem no mesmo recinto.
Em entrevista coletiva de uma hora e vinte e cinco minutos de duração, Chávez deu sua versão do incidente. “Uribe fez uma comparação absurda e eu fui obrigado a responder”, disse Chávez. Segundo ele, não existe boicote da Venezuela a produtos colombianos. “Simplesmente, o carro da Colombia custa o dobro que o carro que agora compramos da Argentina, e a carne e o leito argentinos são muito melhores”. Ao final, Chávez disse que apesar do atrito, a cúpula havia terminado bem. E aproveitou para desferir a derradeira alfinetada no colega colombiano. “Se (a briga) serviu como catarse para Uribe, tudo bem.”
ps: senti na pele a truculência dos guarda-costas do presidente Chávez. um deles imprensou minha perna numa porta. coisa fina.

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