Cachorrinho Samba na neve

Estadão

15 Fevereiro 2007 | 00h27

Minha primeira reação foi: esses romanos são uns neuróticos. De cinco em cinco minutos, a CNN mostrava os “Alertas de Clima Severo”. Washington estava prestes a ser atingida por uma tempestade de neve, alarmava a TV. A farmácia da esquina (e farmácia aqui, é bom esclarecer, é maior que supermercado no Brasil, vende até sapato) estava lotada. Uma penca de gente comprando víveres.

Meu celular tocou – era o médico, cancelando uma consulta. “Começou a nevar, acho que não vou conseguir chegar no consultório.” O governo suspendeu o expediente em repartições públicas a partir das 2 da tarde. Muita gente foi dispensada do trabalho.

Ora, faça me o favor. Se toda vez que tivesse enchente em São Paulo as pessoas não tivessem que trabalhar, a cidade não ia funcionar…O Tietê pode estar transbordando, os carros boiando na marginal, e mesmo assim ninguém é dispensado.

Ia eu pensando em tudo isso enquanto andava pela rua, voltando de uma entrevista. Apressada. “Nem tem tanta neve assim”, pensava.

De repente, veio o tombo espetacular. Daqueles de videocassetada. “Está tudo bem, precisa de ajuda?” Não, estou ótima. Voltei para casa xingando. Mas com passos bem miudinhos, pra não cair de novo. Lembrei do Henrique Meirelles, presidente do Banco Central, que escorregou na rua e quebrou o pé na Suíça numa ocasião.

Mesmo assim, continuava achando que era exagero. Mandar todo mundo pra casa, cancelar compromisso….frescura de primeiro mundo.

Resolvi driblar a neve para levar minha cachorra passear. Impávida, vesti um casaco de esqui e pus a coleira na Sarah, minha Border Collie. No primeiro quarteirão, uma experiência inédita. A cachorra correu, eu caí e ela foi me arrastando. Ou seja, andei de trenó sem o trenó.

Eh, esses americanos não são uns neuróticos. Eu é que sou muito jeca.