Banqueiros dizem que mais regulamentação pode reduzir crédito para emergentes

Estadão

05 de outubro de 2009 | 04h09

O Instituto de Finanças Internacionais (IIF), espécie de
Febraban mundial que reúne 375 bancos, afirmou que as regulações
bancárias propostas por alguns países ameaçam reduzir a oferta de
crédito para emergentes. “Com as novas regulações exigindo que bancos
tenham altos níveis de capitalização, é possível que as instituições
financeiras reduzam os empréstimos para o mercado emergente,
principalmente para países mais fragilizados”, disse o IIF.
“O excesso de regulamentação pode atrapalhar a recuperação da economia
mundial”, afirmou em entrevista Josef Ackermann, presidente do
conselho do IIF e do Deutsche Bank.

O Conselho de Estabilidade
Financeira (FSB, na sigla em inglês), órgão encarregado de desenhar as
novas regulamentações financeiras para evitar que a crise se repita,
discordou, dizendo que não há excesso de regras e que os bancos não
podem voltar aos maus hábitos.

“Não estamos impondo regras demais cedo
demais, como alguns afirmam”, disse ontem Mario Draghi, presidente do
FSB. As regulamentações propostas pelo FSB serão discutidas durante
2010 e só devem ser implementadas em 2011 ou 2012. “Tem tempo de sobra
e os bancos já sabiam, estamos debatendo essas regras desde 2007”,
disse Draghi. “Eu diria que é prematuro os bancos se preocuparem com
excesso de regras. E agora é a hora de eles se capitalizarem.”

Os bancos se opõem a tetos para bônus de executivos, propostos por
alguns países. Eles também não querem índices rígidos para
capitalização e restrições para bancos considerados “grandes demais
para quebrar”

O IIF também discorda da recomendação do Fundo Monetário Internacional
(FMI), que afirmou ser muito importante os bancos aproveitarem este
momento para se manter capítalizados – em vez de distribuir dividendos
para seus acionistas ou bônus para seus executivos. “Não achamos que
isso faz sentido”, disse Charles Dallara, diretor-gerente do IIF. “Os
acionistas são donos dos bancos e, em relação a compensação,
precisamos oferecer boa remuneração para reter talentos.” Um
jornalista indicou que muitos dos bancos receberam dinheiro dos
contribuintes para não quebrar, então não teriam de prestar contas
apenas aos acionistas. “Estar capitalizado é importante, mas não tão
importante quanto ter lucros e liquidez”, disse Ackermann, diretor do
conselho do IIF. “E se nós não remunerarmos os profissionais de forma
adequada, vamos perder gente talentosa e os lucros vão cair”

Segundo Ackerman, são importantes as regras para capitalização,
endividamento, liquidez e remuneração, com o objetivo de assegurar a
estabilidade do sistema financeiro. “Mas a garantia de que as
instituições reguladas terão condições de inovar e fornecer os fluxos
de crédito necessários para o crescimento também é essencial”, disse.
“Existe um risco real de as reformas regulatórias minarem a
recuperação global e a criação de empregos; essas reformas precisam
ser calibradas cuidadosamente”

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