Baixarias eleitorais nos EUA

Estadão

08 de novembro de 2006 | 00h14

As eleições legislativas dos Estados Unidos de 2006 vão entrar para história como uma das maiores baixarias eleitorais da América. O senador republicano George Allen, da Virgínia, foi autor de uma das grandes gafes desta campanha. Durante um comício, o senador chamou uma das funcionárias da campanha de Jim Webb, seu adversário democrata, de “macaca” – e teve seu deslize eternizado no YouTube. O estigma de racista colou em Allen.

Já Webb, um veterano da guerra do Vietnã, foi acusado por Allen de ser misógino e tratar mulheres como objeto. Isso por causa de trechos mais “calientes” de seus livros de ficção, que são best-sellers. Para espalhar ainda mais a lama, Webb se defendeu dizendo que os livros eram apenas ficção e apontou para a mulher do vice-presidente Dick Cheney, Lynne. Lynne escreveu um livro abordando um caso de amor entre duas lésbicas. O partido republicano condena o casamento entre homossexuais, embora a filha de Cheney, Mary, seja gay.

No Missouri, o ator Michael J Fox, que tem mal de Parkinson, fez uma propaganda para candidatos democratas que defendem as pesquisas com células-tronco. Rush Limbaugh, o nada-sutil comentarista conservador, disse que Fox estava fingindo ou tinha deixado de tomar seus remédios para fazer a propaganda, porque tremia demais.

A democrata Tammy Ducksworth, candidata a deputada em Illinois que perdeu as duas pernas na guerra do Iraque, foi vítima de um dos piores ataques. Seu adversário afirmou que Tammy prega a política do “cut and run” na guerra. Numa tradução livre, sair correndo da guerra, mas convenhamos que a figura de linguagem não é muito adequada para se dirigir a alguém que teve as duas pernas amputadas.

E para engrossar o rol das frases infelizes, a deputada republicana Barbara Cubin, de Wyoming, disse para um adversário do partido Libertário: “Se você não estivesse sentado nesta cadeira, eu daria um tapa na sua cara”. O candidato é deficiente e usa cadeira de rodas.

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