Até onde vai o 'racial profiling' ?

Estadão

27 de agosto de 2006 | 04h21

Os 12 indianos detidos pela polícia holandesa no vôo que ia de Amsterdam para Mumbai foram recebidos na Índia como mártires do pânico antimuçulmano que tomou conta do mundo. A polícia suspeitou que os 12 passageiros fossem terroristas e, após 20 minutos de vôo, o avião voltou para o aeroporto holandês de Schiphol escoltado por caças. Os indianos foram algemados, ficaram dois dias em celas e não puderam falar com seus familiares.

Aqui na Índia, a capa de jornais como o The Sunday Express e o Times of India trazem fotos do retorno dos empresários, recebidos às lágrimas por suas famílias.

Ayub Kolsawala foi um dos 12 indianos detidos. Ele conta que estava dormindo quando determinaram que o avião voltasse para Amsterdam. “Problemas técnicos”, pensou. Quando a aeronave pousou em solo holandês, veio o susto. “Foi o choque da minha vida”, disse o empresário. “Chegaram os policiais holandeses e nos prenderam.”
Kolsawala estava na Holanda participando de uma feira de negócios do setor têxtil.

Ele ficou nervoso, sentiu-se discriminado pela cor de sua pele, sua religião, seu nome? “Eu não sei. É uma questão de segurança. Poderia ter acontecido até na Índia”, disse Kolsawala ao Times.
Muita gente encara com menos resignação. Para o programador de computadores Neeraj, de Delhi, é uma falta de respeito, uma ofensa. “Aqui não tratamos os turistas assim,porque vamos ser maltratados no exterior, por causa de nossa pele ?”

A questão é difícil. Por um lado, trata-se de nítido racial profiling. Por outro, o excesso de cuidado da polícia britânica abortou o plano que levaria a uma a série de atentados em aviões de Londres para os EUA ….