As árvores e a floresta – a ditadura da má notícia

Estadão

14 de agosto de 2010 | 23h44

Voltar ao Brasil depois de quatro anos fora é um aprendizado. E um das coisas mais interessantes é comparar a visão do País e do governo lá fora e aqui dentro. A mídia brasileira é altamente crítica em relação ao governo do PT e a Lula, o que é um exemplo de quão saudáveis são as instituições aqui e quão vigorosa é a democracia. É um alívio, se pensarmos por exemplo na Venezuela, onde canais de oposição têm seus direitos de transmissão cassados. Estive em Caracas há uma semana. Lá, correspondentes da Economist e do The New York Times são atacados na TV, ao vivo, quando escrevem matérias críticas a Chávez.
Dito isso, é de interessante refletir sobre a ditadura da má notícia aqui dentro.
Fala-se em Brasil lá fora, e pensa-se em redução de desigualdade de renda, potência agrícola, e, OK, favelas, carnaval e violência. Abordagens equivocadas de política externa como a aproximação do Irã pegam muito mal, está certo.
Mas existe um consenso sobre a nova estatura internacional adquirida pelo Brasil e os sucessos em políticas de redução de pobreza.
Por aqui, me dá a impressão de que, muitas vezes, “we can’t see the forest for the trees”, o que, na impressão em inglês, significa que estamos nos focando em detalhes e perdendo o todo. Ou seja, está certo, ainda há muito a ser alcançado, principalmente em educação e saúde, áreas em que o Brasil tem situação vergonhosa. Mas não se podem negar os avanços.

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