Apertando o cinto no país da fartura

Estadão

27 de abril de 2008 | 17h56

Até aqui nos Estados Unidos, país que deve ter inventado a palavra fartura, as pessoas estão apertando o cinto.

A alta do preço da gasolina e dos alimentos, aliada a uma desaceleração econômica “braba”, afetou até os pródigos shopaholics americanos. A venda na maioria das grandes redes está em queda e já tem gente anunciando promoção com o “cheque do estímulo econômico”, a restituição de imposto de renda que o presidente Bush começa a distribuir na semana que vem.

Aumentou muito a venda de macarrão e pasta de amendoim, enquanto carne de vaca está em queda. Ou seja, aqui, como aí, bife é comida de rico.

Um dos luxos da classe média americana era comer fora uma vez por semana, ou pedir pizza no Domino’s, Papa John’s e gourmets quetais. Esses restaurantes também estão sofrendo, à medida que o pessoal está comendo mais em casa. Estão recorrendo àquelas famosas “lasanhas TV”, grandes culpadas pela adiposidade generalizada do Meio-Oeste.

E os restaurantes tratam de se adaptar. Outro dia li no jornal sobre uma consultora gastronômica que dá assesoria a restaurantes para eles reduzirem as porções (e os custos), sem o cliente perceber. São conselhos do tipo – diminua o tamanho do bife e acrescente um purê de batata, tudo em um prato menor. A mim soa como picaretagem, tipo fazer papel higiênico com 10 metros a menos.

Não que essa súbita paixão por nouvelle cuisine vá deixar alguém faminto nos restaurantes. Como é sabido, as porções aqui são pantagruélicas (minha favorita é “surf and turf”, uma refinada combinação de camarão com bife vivendo em harmonia….)

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