Ansiosos na mina de San José, à espera dos 33 mineiros

Estadão

09 de outubro de 2010 | 14h52

Eram 08h05 da manhã quando a perfuradora Schramm T-130 rompeu o teto do refúgio onde os 33 mineiros estão presos há mais de dois meses.Uma sirene começou a tocar, familiares choravam, gritavam. Até jornalistas se emocionaram e choraram, no Campo Esperança, onde estão mais de 2 mil pessoas, a maioria da imprensa.
Para se chegar até a mina de Caldera, uma cidade próxima, é preciso pegar uma estrada de terra, são cerca de 40 quilômetros, mas, sem caminhonete, leva uns 45 minutos para chegar.
No Campo Esperança, familiares estão em barracas e usam um “comedor” público, com comida feita por voluntários que vêm de várias cidades. Nesse refeitório, há um altar erguido pelos familiares, com santos e pedidos. Em volta do Campo, há várias faixas pedindo a volta e a saúde dos mineiros, com fotos. Há muitas equipes de jornalistas dormindo em barracas ou trailers. Faz muito frio à noite, chega a se acumular uma camada de gelo na barraca. Há alguns banheiros químicos espalhados pelo campo, cujo cheiro é prova da superpopulação do local. Uma escolinha improvisada atende os filhos dos mineiros presos.
À tarde, montam uma grelha e ofereceram um choripán (sanduíche com linguiça) e refrigerante. No fim da tarde, é a hora do café, e um bispo promove uma oração.
Perto do “centro da terra”, os mineiros passam muito calor. Eles estão presos há 64 dias sob uma temperatura mínima de 32 graus e pouquíssima iluminação, fornecida apenas por uma lâmpada de 500 watts que foi baixada por um duto. Muitos dos mineiros têm problemas dentários, que estão sendo tratados com antibióticos e analgésicos, de pele e psicológicos, monitorados por vídeoconferência.
Lá embaixo, eles estão usando roupas especiais para absorver o suor e evitar odores. Também ganharam MP3 do dono da Apple, conectados a alto-falantes,e têm um micro-projetor com o qual veem jogos de futebol, filme e , principalmente, notícias sobre a operação de resgate.
Alguns estão doentes – Mário Gómez, o mais velho dos mineiros, com 63 anos, tem um problema pulmonar e estava prestes a se aposentar quando houve o deslizamento de terra na mina. Outro mineiro tem diabetes e terá de ser monitorado atentamente O ministro da saúde, Jaime Mañalich, contou que nos últimos dias os mineiros foram submetidos a atividades físicas intensas, para testar sua reação em situações de muito estresse, para simular a sensação que podem ter durante o resgate.
Para a cobertura, cada um se vira como pode. Adriana Nasser e a equipe da TV Brasil estão dormindo na casa de um taxista – quando ela chega, ele se muda para a casa da vizinha. Não encontraram hotel. é o mesmo taxista que os leva para cima e para baixo – já que não há mais carros para alugar.
Giovana Sanches, do G1, dormiu em uma barraca – dormiu não, tentou. “Não consegui dormir nenhum minuto, de tanto frio que fazia”, ela contou.
Victor Tirado , motorista, trabalha para uma mina em Caldera, mas está “frilando” para jornalistas como eu. Seu pai, de 69 anos, faz uma das empanadas mais famosas da região.
Todos os jornalistas estão se preparando para dormir na mina na segunda-feira- com barraca ou sem, ao relento ou dentro do refeitório. Durante a noite devem ser resgatados os mineiros e nenhum jornalista pode perder esse momento histórico.

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