Alguma coisa está muito errada nessa lista de "no fly"

Estadão

08 de janeiro de 2010 | 19h48

Lendo o relatório de seis páginas divulgado ontem pela Casa Branca e os briefings do departamento de Estado e outras “autoridades” sobre a tentativa de atentado do nigeriano terrorista da cueca, só consigo chegar a uma conclusão: não sei como não explodiram nenhum avião. Ai que medo de embarcar.

Numa boa – você não acharia estranho alguém embarcar na Nigéria, com rumo aos EUA, comprando passagem só de ida, pagando em dinheiro e não despachando nenhuma bagagem?

Não valeria a pena checar mais se o pai do sujeito tivesse ligado para a embaixada americana na Nigéria e dito : meu filho esteve no Iêmen e está em contato com extremistas? o pai se encontrou até com agentes da CIA para alertar sobre o filho.

Ao mesmo tempo, em algum lugar da base de dados eficientíssima dos EUA, constava que um nigeriano estava sendo treinado pela Al Qaeda no Iêmen. E , em algum outro lugar da base de dados, constava que a Al Qaeda no Iêmen planejava atacar alvos americanos.

Para completar, a Grã-Bretanha revogara o visto do sujeito porque ele queria um visto de estudante para uma faculdade inventada.

Mas o departamento de Estado, ao investigar o nigeriano, “soletrou errado” o nome do sujeito – e, como resultado, não descobriu que ele tinha visto americano, e não cancelou o dito.

Quer dizer: tudo isso não foi suficiente para alguém nos Estados Unidos dizer “esse cara não pode entrar no avião”.

Ou seja, tem velhinha de Taubaté que não pode entrar nos EUA porque foi confundida com terrorista e está na lista de proibidos de voar, ou precisa enfrentar horas de interrogatórios na imigração. Mas o cidadão Abdulmutallab, acima de qualquer suspeita, embarca numa boa.

Algumas coisa está muito errada nesse sistema de “unir os pontos” da inteligência.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.