A eleição dos Estados Unidos e o mundo da fritura profunda

Estadão

30 de novembro de 2007 | 15h17

Além dos hecklers, aquele pessoal que faz perguntas ou piadas inconvenientes, os candidatos presidenciais americanos têm outro enorme desafio na árdua rotina de campanha – a fritura profunda.

Deep-frying é uma cultura arraigada aqui na América. Mergulhar todo tipo de alimento em gordura fervendo é uma tradição nos EUA. Quando eu digo todo tipo, é todo tipo mesmo – deep-fried Oreos (biscoito Negresco frito), espaguete e almôndegas no espeto, deep-fried; pizza em fritura profunda, e até Coca-Cola empanada.

Nem Mike Huckabee, estrela em ascensão do partido Republicano e ex-obeso devoto, autor de livros de emagrecimento, escapa dos quitutes profundamente fritos. Afinal, nada mais “europeu”(no mau sentido da palavra) do que dizer “estou de dieta” em plena campanha pelas estradas de Iowa e New Hampshire.

A líder Hillary Clinton disse que reza – pede a Deus, isso mesmo – para emagrecer. Mas não recusa os Twinkies deep-fried (nosso Ana Maria da Pulmann) para não perder votos.

Bom, eu não podia ficar de fora. Já em preparação para mergulhar no milharal de Iowa no reveillón e cobrir as congelantes eleições primárias, resolvi submergir em fritura profunda neste final de semana.

Na casa de amigos americanos, vivi a definitiva experiência americana – peru deep-fried. Isso mesmo. O pessoal arma um fogareiro com uma panela enorme cheia de óleo de canola. Fora de casa, pra não ter perigo de incêndio. E mergulha o peru do Dia de Ação de Graças em gordura fervendo.

E não é que é gostoso? O peru não fica seco e sem graça.

De mais a mais, as notícias no front são animadoras. A taxa de obesidade nos Estados Unidos parou de crescer. O número de obesos estabilizou em 35,3% das mulheres e 33,3% dos homens. São 72 milhões de americanos se esbaldando em fritura profunda e quetais.

Coca-Cola frita Negresco em fritura profunda

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