A corrupção é genética ou é gerada por instituições falhas?

Estadão

13 de setembro de 2006 | 12h45

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Entrevistei Gurcharan Das, o intérprete da Nova Índia, em Delhi. Gurcharan Das é autor do livro India Unbound (algo como Índia sem amarras, sem limites, libertada), um best-seller que já teve 70 mil exemplares vendidos na Índia (em inglês), fora as edições em hindi, tamil, telugu, bengali, etc….o livro saiu também nos EUA, Grã-Bretanha e França.

India Unbound fala das transformações que ocorreram no país desde a independência até hoje, passando pelo chamado License Raj (reinado das licenças), que transformou o país em uma burocracia insana, até a grande onda de liberalização de 1991, capitaneada pelo atual primeiro-ministro Manmohan Singh.

Das foi presidente da Procter & Gamble aqui na Índia. Ele é um dos mais requisitados palestrantes indianos e acaba de escrever o artigo de capa sobre a nova Índia na revista Foreign Affairs.

Em vez de tomar um chá com leite em casa, por que não vamos passear pelo Lodi Gardens? Proposta aceita, fomos conversar sobre os desafios da Índia com a companhia de Tashi, sua labrador, com maravilhosos mausoléus do século XV como pano de fundo.

Das está escrevendo seu novo livro, sobre governança. Uma das perguntas que ele faz no livro é sobre a corrupção: trata-se, afinal, de um problema genético? o indiano (assim como o brasileiro), é predisposto a ser corrupto?

Das acha que não. Ele acha que a falta de governança e de instituições que funcionem é que predispõe a esse tipo de comportamento. A Índia tem tanto “red tape” (burocracia), que a única maneira de fazer com que as coisas funcionem é corrompendo alguém, diz. Portanto, acha Das, são as instituições imperfeitas que dão incentivos para a corrupção.

“O indiano não é um corrupto nato. Por exemplo: um indiano que, aqui, paga um oficial para conseguir ter uma carteira de motorista, vai morar na Inglaterra e lá não é corrupto.”

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