A ascensão do nacionalismo econômico

Estadão

31 de janeiro de 2009 | 18h44

Recordar é viver, como diriam no baile da saudade e em outros locais menos idílicos.
Em 17 de junho de 1930, os Estados Unidos baixaram a Lei de Tarifas Smoot-Hawley, que elevou significativamente a tarifa de importação sobre 20 mil produtos. Em vez de proteger a indústria doméstica, a Lei desencadeou uma guerra comercial e transformou uma recessão em Grande Depressão.

Nas útlimas semanas, uma série de medidas protecionistas está pipocando em vários cantos do globo. Nos Estados Unidos, o pacote de recuperação econômica, que é a grande esperança de salvação para o país,pode conter uma emenda protecionista exigindo que todo o “ferro, aço e produtos manufaturados” usados em projetos do pacote sejam “made in America”. Empresários advertem que isso vai desencadear retaliação por parte de parceiros comerciais e encarecer os projetos de infra-estrutura. Mas as indústrias protegidas e legisladores populistas (entre eles o vice-presidente Joe Biden) comemoram.

Em Londres, houve uma onda de protestos contra a contratação de trabalhadores estrangeiros.

Rússia e Índia elevaram tarifas de importação logo após a reunião do G-20 em Washington, em novembro, em que todos os países se comprometeram a não adotar medidas protecionistas.

E o Brasil, numa operação trapalhada, adotou licenças não automáticas para vários produtos, para logo depois cancelar a medida, diante de protestos de indústrias.

A justificativa é nobre – preservar empregos domésticos durante a crise braba que está aí.

Mas, caveat emptor, o resultado vai ser o oposto disso. Vide Smoot-Hawley. A torcida do Corinthians inteira está avisando.

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