Bola de neve

Guaracy Mingardi

26 de março de 2012 | 14h09

Hoje será enterrado o jovem torcedor André Alves Lezo, morto em uma  briga de torcedores que antecedeu o jogo Corinthians X Palmeiras. Não é o primeiro nem será o último. A batalha foi marcada com antecedência e ocorreu na zona norte de São Paulo, em um local muito distante do estádio. Como de costume houve enfrentamento com paus e pedras, mas também envolveu armas de fogo.

Essas brigas são constantes, mas aparecem no noticiário apenas quando alguém morre. Dessa vez foi um palmeirense, da próxima talvez um corinthiano ou são paulino. Assim como um confronto leva ao outro, uma morte provoca outra. Isso cria o espaço para que parte das torcidas se transforme em verdadeiras gangs, como os Hooligans, que existem apenas para brigar e foram responsáveis por inúmeras mortes no Reino Unido e fora dele.  É como uma bola de neve, que quando começa a descer o morro cresce e destrói tudo que encontra.

Como das outras vezes a situação vai ser discutida uns dias e depois esquecida. Até a próxima morte. Antes que ela ocorra, porém precisamos tratar o problema com seriedade. É evidente que não é apenas um problema de repressão, mas como este blog lida com  questões policiais vamos à pergunta que não quer calar:

O que a polícia está fazendo a respeito?

Existe um trabalho do Policiamento de Choque da PM para evitar os confrontos, inclusive com a utilização de inteligência criminal, mas aparentemente não é suficiente. É necessário utilizar medidas mais drásticas. Empregar as técnicas de inteligência para identificar as lideranças, não da torcida estrito senso, mas dos grupos envolvidos nas brigas.

Outra medida importante é responsabilizar criminalmente quem marca os confrontos. E os detidos no ato, além de indiciados automaticamente, tem de ser interrogados não apenas quanto à briga em si, mas também quanto a sua vinculação. Tendo arquivos confiáveis, o  Departamento de Inteligência da Polícia Civil poderia, através dos detidos, identificar o grupo de arruaceiros, e intimar os líderes de cada lado toda vez que ocorre um conflito, não apenas quando morre alguém.

É uma questão de responsabilização, não de discussões ou medidas demagógicas. Votar novas leis ou dar entrevistas não resolve o problema. Só serve para aplacar a imprensa até a crise ser esquecida.

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