Palocci é cotado para o Ministério das Comunicações

Estadão

13 de novembro de 2010 | 11h50

Proposta em gestação nos bastidores do Planalto coincide com a decisão do PT de reivindicar para sua cota na Esplanada não apenas esse posto como também a Saúde

Vera Rosa, de O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA – A presidente eleita Dilma Rousseff ouviu sugestões, dentro do governo, para pôr Antonio Palocci no comando do Ministério das Comunicações, hoje dirigido pelo PMDB. A ideia de Dilma é turbinar a pasta, que abriga o Plano Nacional de Banda Larga – programa para universalizar a internet rápida – e regulamenta as concessões de rádio e TV.

A proposta de puxar Palocci para as Comunicações coincide com a decisão do PT de reivindicar para sua cota não apenas esse latifúndio como também a Saúde – hoje nas mãos do PMDB -, além de pedir a retomada do Ministério das Cidades. Embute, ainda, o desejo de melhorar o relacionamento com a imprensa, desgastado no governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

Nos bastidores do Planalto, o comentário é o de que o ex-ministro da Fazenda, dono de estilo discreto e jeitoso, pode atuar como uma espécie de \”embaixador\” e fazer pontes entre o governo e a mídia. Embora Dilma ainda não tenha batido o martelo sobre o destino de Palocci, na prática ele virou um curinga da nova equipe, cada vez mais cotado para ocupar superministérios.

Alvejado no passado pela própria Dilma, que em novembro de 2005 chamou de \”rudimentar\” o ajuste fiscal de longo prazo, Palocci foi um dos principais coordenadores do staff da então candidata do PT. Ganhou sua confiança de tal forma que ninguém duvida de sua influência no novo governo.

De homem do presidente Lula na campanha, o ex-comandante da economia – abatido pelo escândalo da quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, em 2006 – tornou-se interlocutor privilegiado de Dilma. Ela o chama de \”Palocinho\”; ele se refere a ela como \”tia\”.

A ascensão de Palocci, hoje deputado, desperta ciúmes. Há também uma briga entre grupos da mesma corrente majoritária, intitulada Construindo um Novo Brasil (CNB), por mais poder no PT. Seguidores do ex-ministro José Dirceu fazem de tudo para evitar que Palocci assuma a Casa Civil e querem empurrá-lo para a Saúde.

O trabalho não tem surtido efeito. Além de ter o nome sugerido para Comunicações, o ex-ministro da Fazenda continua cotado para a Secretaria-Geral da Presidência ou a Casa Civil, dependendo do novo modelo do \”núcleo duro\” do Planalto. A Casa Civil perderá funções executivas, como antecipou o Estado, e a Secretaria-Geral deverá ganhar musculatura, podendo incorporar a articulação política do governo.

Se essa configuração vingar, o PT pedirá a Dilma que transfira Alexandre Padilha das Relações Institucionais para a Saúde. \”Ninguém tem vaga garantida na equipe. Para mim, vale aquela máxima do Jô Soares: ‘Vai pra casa, Padilha!’\”, brincou o articulador político do Planalto. \”Palocci é ótimo nome para a Casa Civil. Essa história de que ele faz sombra é conversa\”, emendou o secretário de Comunicação do PT, André Vargas. Para o Ministério das Cidades o nome do partido é o do ex-tesoureiro da campanha de Dilma, José Di Filippi Júnior, ex-prefeito de Diadema.

Nada, porém, é tão simples no tabuleiro ministerial. Embora o PT sonhe com a ampliação de suas cadeiras na Esplanada – atualmente, a sigla ocupa 17 dos 37 ministérios -, nenhum dos aliados aceita abrir mão dos espaços conquistados. No comando de seis ministérios (Saúde, Minas e Energia, Comunicações, Integração Nacional, Defesa e Agricultura), o PMDB do vice-presidente eleito Michel Temer (SP) não está disposto a ceder vagas para o partido de Dilma. Nem tampouco o PP e o PSB.

Para complicar, o ex-ministro das Comunicações Hélio Costa já enviou recados de que gostaria de retomar sua antiga cadeira. Costa deixou o cargo para concorrer ao governo de Minas Gerais, depois de ferrenho embate com o PT, que abriu mão da candidatura ao Palácio da Liberdade para apoiá-lo.

O retorno de Costa é considerado remoto. Os defensores da ida de Palocci para Comunicações alegam que o ministério, fortalecido, terá assento nas reuniões semanais da coordenação de governo. Detalhe: sob o guarda-chuva da pasta também há crises pendentes de solução, como a dos Correios, que envolveu a então ministra da Casa Civil, Erenice Guerra – defenestrada em setembro no rastro das denúncias de tráfico de influência e nomeação de parentes e amigos.

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