Vinte anos de propina

Vinte anos de propina

Jacob Barata, "rei dos ônibus" do Rio, solto 2 vezes por "benemerência" de Gilmar, contou ao juiz Bretas que paga propina a políticos do MDB fluminense, como Cabral e Picciani, desde século passado

José Nêumanne

27 de agosto de 2018 | 13h11

Barata chega à sede da Polícia Federal no Rio, onde contou ao juiz Bretas que paga propina a políticos fluminenses desde 1998. Foto: Fábio Motta/Estadão

Fora da cadeia, depois de ter sido solto por “benemerência” do ministro do STF Gilmar Mendes, Jacob Barata, o “rei dos ônibus” do Rio, contou pela primeira vez, em depoimento ao juiz Marcelo Bretas, da Operação Lava Jato, que a Federação dos Transportes Públicos do Rio (Fetranspor) paga propinas há 20 anos a políticos do Estado. O caso veio à baila em 1999, quando Sérgio Cabral presidia a Assembleia e Jorge Picciani era seu vice-presidente, mas foi enterrado numa CPI que terminou em pizza. A confissão revela apenas o óbvio, mas em nada altera a situação do empresário, de cuja filha o “supremo” foi padrinho de casamento. E é difícil saber se, afinal, a propina deixou ou deixará de ser paga.

(Comentário no Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107,3 – na segunda-feira 27 de agosto de 2018, às 7h30m)

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Abaixo, os assuntos do comentário de segunda-feira 27 de agosto de 2018

 

1 – Haisem – Você se surpreendeu com a notícia dada nos jornais de anteontem de que Jacob Barata, conhecido como o “rei dos ônibus” do Rio de Janeiro, confirmou em depoimento ao juiz federal Marcelo Bretas que pagou propina a políticos ao longo dos últimos 20 anos?

 

2 – Carolina – Que novidades há na entrega pela perícia da Polícia Federal ao juiz Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato, de um laudo de 27 páginas sobre e-mails encontrados no computador pessoal ao qual o empreiteiro Marcelo Odebrecht teve acesso depois de sair da prisão em Curitiba para continuar cumprindo sua pena em casa, no Morumbi, em São Paulo?

 

3 – Haisem – Por falar em Lava Jato, a seu ver, a autorização dada pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge, para a operação continuar por mais um ano é uma forma de lhe dar força ou um anúncio de que ela está chegando a seu capítulo final?

 

4 – Carolina –  Qual é a importância que você atribui ao fato de um  candidato a vice-presidente na chapa do PT que está sendo preparado para assumir a cabeça da chapa quando o registro da candidatura presidencial de Lula for impugnado ter confundido os verbos caçar com cedilha e cassar com dois esses numa mensagem de internet?

 

5 – Haisem – Será que é verdade mesmo que o PT emprega “influenciadores digitais” na campanha eleitoral no Piauí, como está sendo noticiado pelo jornal O Globo?

 

6 – Carolina – Que conseqüências poderá ter na decisão do Tribunal Superior Eleitoral a declaração do relator dos 16 pedidos de impugnação apresentados àquele órgão, o ministro do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso, de que um país cuja jurisprudência mude de acordo com o réu caracteriza um “Estado de compadrio”?

 

7 – Haisem – O que você acha que o ministro da Defesa, general Joaquim Silva e Luna, quis dizer quando previu que está para haver mais mortos em confrontos entre as tropas federais da intervenção na segurança do Rio de Janeiro e os bandidos, mas completou que isso não é uma “profecia”, mas, sim, uma “conclusão”? Que diferença faz isso para as vítimas e o Estado?

 

8 – Carolina – Por que, na mesma solenidade em que se comemorou por antecipação o dia do soldado, que seria sábado, na sexta-feira, o comandante do Exército, general Eduardo Villas Boas, criticou o que ele chamou de “autoridades locais” por nunca terem tomado atitudes que ajudassem a reduzir os índices de violência nas comunidades?

 

 

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