Vigarista chinfrim

Vigarista chinfrim

Marqueteiro que vendeu mentiras de Dilma como verdades agora revela como ela é mentirosa

José Nêumanne

15 de maio de 2017 | 13h45

Há um ano Dilma jogava bilhões nos lixões Foto Wilton Jr./Estadão

A revelação de Mônica Moura de que ela administrou pessoalmente com a ex-presidente Dilma Rousseff e seu maçaneta Giles Azevedo um e-mail fictício em que informações sigilosas sobre as investigações vazadas pelo chefe da Polícia Federal, o então ministro da Justiça José Eduardo Martins Cardozo, eram compartilhadas em mensagens cifradas que não eram enviadas, mas mantidas na caixa de rascunhos, põe por terra definitivamente sua reputação da “avó ilibada”. Mais ainda a informação dada em delação premiada pela mulher do marqueteiro João Santana de que isso permitiu o aviso dado previamente ao casal de que sua prisão seria decretada pelo juiz Sergio Moro. Coisa de vigarista chinfrim!

(Comentário no Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107,3 – na segunda-feira 15 de maio de 2017, às 7h30m)

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Abaixo a íntegra da degravação do comentário:

Eldorado 15 de maio de 2017 Segunda-feira

O que as delações premiadas de João Santana e Mônica Moura lhe permitiram perceber de relevante sobre a história recente do Brasil?

As delações premiadas do casal baiano, divulgadas na sexta-feira trouxeram muitas revelações que complementaram as informações trazidas antes por Renato Duque permitindo acabar com um mistério que o mensalão não conseguiu desfazer: o das chefias da organização criminosa que limpou diligentemente os cofres da República nos 13 anos, quatro meses e 12 dias dos desgovernos petistas de Lula da Silva e Dilma Rousseff, que produziram a maior crise econômica da História, cuja conseqüência mais dramática é a existência de 14 milhões e 200 mil trabalhadores brasileiros desempregados. Como este tema vem sendo informado e debatido exaustivamente prefiro, contudo, chamar a atenção para a denúncia mais importante dos mais de três anos de Operação Lava Jato. Refiro-me à revelação de Mônica Moura de que ela administrou pessoalmente com Dilma Rousseff e seu maçaneta Giles Azevedo um e-mail fictício em que informações sigilosas sobre as investigações vazadas pelo chefe da Polícia Federal, o então ministro da Justiça José Eduardo Martins Cardozo, eram compartilhadas em mensagens cifradas que não eram enviadas, mas mantidas na caixa de rascunhos. E que isso permitiu o aviso dado previamente ao casal de que a prisão deles seria decretada pelo juiz Sergio Moro. O ministro da Justiça, que ocupava a mais antiga e respeitável das pastas foi, assim, denunciado como tendo cometido os crimes de vazamento de informação sigilosa e obstrução de Justiça. Voltaremos a tratar disso mais adiante. Agora é possível por a peça final de um quebra-cabeças que venho montando desde 2009 a respeito da farsante Dilma Rousseff, a vigarista cínica, falsa e chinfrim que foi presidente.

Você baseia-se em que para fazer afirmação tão grave e dura?

Vamos fazê-lo abordando mito a mito, mentira a mentira, lorota a lorota:

1 – A mentira da heroína da democracia.

Desde sempre, essa senhora vem se jactando de que arriscou a própria vida, foi presa e torturada durante a ditadura militar lutando pela democracia. Mentira. Ela de fato militou num grupo armado que declarou guerra à ditadura e isso implicou risco de vida e tortura, mas o objetivo desses grupos de extrema esquerda nunca foi democrático. A velha e boa democracia burguesa nunca esteve em seus planos, que consistiam apenas em substituir uma ditadura militar de direita por outra de esquerda. Isso não justifica os métodos da ditadura, mas expõe uma farsa que precisa ser desmascarada. Relatos confiáveis como o do colega jornalista Luiz Cláudio Cunha dão conta de que de fato Dilma Vana Rousseff Linhares foi torturada, chegando a identificar o oficial do Exército que a torturou, mas isso não a torna uma heroína da democracia.

2 – A farsa da importância dela nos grupos armados

Não pretendo discutir aqui se ela participou diretamente de ações armadas externas, Durante as campanhas políticas, a direita, sempre burra, ignorante e também de má fé a acusou de ter participado pessoalmente de assaltos como ao cofre de Ana Caprioli, a amante de Adhemar de Barros que era chamada por ele de doutor Rui. Nada disso, contudo, tem grande importância. Apenas chamo a atenção para o fato de ela não ter sido relacionada em nenhuma das listas preparadas pelos chefes dos grupos para a troca de companheiros presos por ilustres seqüestrados. Isso não deslustra em nada a biografia de militante dela nem reduz a importância dos crimes que cometeu, mas desmente a participação dela no comando de qualquer um dos grupos de que participou. Talvez o único destaque que ela tenha tido na luta armada foi o número de codinomes: Estela, Vanda, Patrícia e Luíza. Esse gosto para se esconder em nomes falsos a acompanhou pela vida pública afora, como foi revelado depois que deixou a Presidência.

Mas você se referiu a um episódio revelado em 2009, muitos anos depois da guerra suja entre a esquerda radical e a ditadura. Qual foi?

3 – A falsificação de um documento que registra a vida acadêmica

Outro colega jornalista, Luiz Maklouf de Carvalho, revelou, em 2009, que o currículo Lattes de Dilma continua duas fraudes. Não se sabe como ela conseguiu falsificar um documento tão importante como esse e talvez seja o fato de investigar agora, que ela vai ser chamada a se explicar com agentes da lei. Mas fato é que ela incluiu no mesmo que era máster of science e doutoranda em Economia pela Universidade de Campinas, Unicamp. Maklouf descobriu que ela começou o mestrado, mas nunca o concluiu e também nunca deu início ao doutorado. O professor Ildo Sauer, da USP, conta que ficou tão impressionado com o currículo dela que a convidou para uma mesa de doutorado em sua universidade. E ela respondeu que não tinha tempo para cuidar dessas baboseiras.

4 – A fraude da gerentona implacável praticada por Lula

Analfabeto funcional e completamente jejuno em matérias técnicas ou de administração, Lula desprezou currículos corretos de petistas competentes como o citado Ildo Sauer e o físico José Pinguelli Rosa, que foi presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), nomeando-a para o Ministério de Minas e Energia em vez deles. Sauer foi diretor de gás e energia da Petrobras sob desgoverno petista que não é acusado de nada ter roubado e a reputação de Pinguelli Rosa presidente da Eletrobrás, porque o ex ficou impressionado com aquela assessora que ninguém entendia o que dizia e sacava dados sempre que solicitada de um lap top que nunca largava. Fez dela ministra e ela passou impávida pela transformação da petroleira em produtora de lama e destruiu o sistema elétrico no Brasil. Os ilustres professores não resistiram a seu estilo grosseiro, estúpido e pesporrento, perdendo os cargos e a possibilidade de avisar ao chefe sobre o desmantelo que provocou a descoberta do maior escândalo de corrupção da História.

Mas esses fatos antigos nunca foram revelados?

Foram. Eu mesmo me esgoelei no rádio e na televisão e escrevi no jornal, mas todo mundo achava que era esperneio de coxinha derrotado pela vontade popular. E foi aí que se deram os maiores absurdos de todos.

5 – O fatiamento do artigo 52 da Constituição para que ela mantivesses seus direitos políticos

O Brasil inteiro viu na TV direto e em cores o então presidente do Senado, Renan Calheiros, e o então presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, rasurarem a Constituição para lhe garantirem o direito de ser merendeira de escola, o que seria um risco, pois, conforme se comprovou depois, ela seria capaz de envenenar a merenda.

6 – O maior estelionato eleitoral da História

Em suas campanhas eleitorais de 2010 e 2014 foi praticado, sob a batuta do marqueteiro João Santana, o maior estelionato eleitoral da História. Os eleitores foram enganados por uma produção milionária de mentiras e calúnias contra os adversários, paga por propinas de empreiteiras de obras públicas não apenas com seu conhecimento, mas também sua intervenção. Na delação o casal João e Mônica contou que, quando o pagamento por caixa 2 atrasava, ela, como Lula fez antes, o cobrava pessoalmente. Além da delação, farta documentação sustenta a acusação na ação do PSDB contra a chapa dela e de Temer na reeleição com farta plantação de laranjas e uso de notas frias para forjar serviços não prestados. Será uma ignomínia se o julgamento no Tribunal Superior Eleitoral deixar esses crimes impunes.

7 – A clandestinidade da guerrilha nos palácios do governo

A peça que faltava no quebra-cabeças foi revelado na delação de Mônica Moura. Durante todo o processo do impeachment, ela execrou delações, delatores e vazamentos seletivos. No entanto, ela se beneficiou de vazamentos feitos pelo ministro da Justiça e advogado no impeachment. Vangloriava-se ainda de ser honesta, nunca ter praticado atos ilícitos nem ter conta no exterior. Era tudo mentira. O mais grave de tudo isso é que ela levou a mania dos codinomes para a clandestinidade que levou para os palácios do governo, segundo a delação de Mônica. Chamo a atenção para o expediente chinfrim e pré-adolescente, próprio de gente muito burra, de usar o e-mail falso para se comunicar por rascunhos. Mas mais ainda para o detalhe cruel da escolha do nome do e-mail – Iolanda, homenagem irônica à mulher do presidente e marechal Costa e Silva – e, sobretudo, do número, 2606, relativo à data 26 de junho, em que foi assassinado brutal e vilmente no portão do Comando Sudeste do Exército o recruta Mário Kozel Filho, que nunca torturou ninguém, nunca participou de nada reprovável e foi morto por acaso. Se foi muito cruel matar o rapaz por nada, mais cruel ainda é usar o número como se fosse um troféu. É prova de sadismo, que explica seu comportamento insuportável no convívio social e no exercício do poder. Aliás, falta aqui a referência a outro codinome, o de Janete, que ela usa para enganar as pessoas que telefonam para sua casa em Porto Alegre, num comportamento típico de quem mente rotineira e compulsivamente. Coisa, portanto, de vigarista falsária chinfrim.

Como, então, essa pessoa chegou ao mais alto poder da República num país democrático e por escolha popular?

Aí é que está o busilis, seu Haisem. É nisso que dá eleger um analfabeto funcional, espertalhão de marca presidente da República e transformá-lo símbolo do trabalhador sem nunca ter trabalhado de verdade na vida. Lula simplesmente não tinha condições de montar a equipe do governo e nem de governar. Elegê-lo de novo em 2018 seria correr esse risco novamente. Quero, aliás, aproveitar a ocasião para discordar do prefeito de São Paulo, João Doria, que, segundo revelou a colega colunista da Eldorado Eliane Cantanhêde, prefere derrotar Lula na eleição a vê-lo condenado. Não se trata de condenar ou não. Numa democracia a Justiça tem que funcionar. Garantir a imunidade para levar Lula a julgamento perante o povo antes de submetê-lo à Justiça é aceitar tudo o que ele fez, o que permite inclusive o favorecimento dele por amiguinhos que nomeou para os altos postos do Judiciário. Quero, aliás, lembrar que Fernando Henrique já cometeu este erro antes alegando que o impeachment não seria desejável como desfecho do mensalão porque seria melhor sangrar o porco até a eleição, como dizia Antônio Carlos Magalhães. O resultado é que Lula foi reeleito e ainda elegeu a farsante Dilma Rousseff duas vezes. Hoje com o que sabemos dos tucanos e dos tais democratas encalacrados na Lava Jato podemos desconfiar das boas intenções do ilustre sociólogo.

E o que você ainda tem a dizer sobre José Eduardo Cardozo?

É simples, curto e rasteiro, só para concluir. A espionagem ou vazamento da Polícia Federal, que deu a Dilma a chance de avisar os cúmplices de que seriam presos, não é, como ele disse, dever de ofício, mas crime. A PF tem autonomia de investigação e a autoridade do ministro da Justiça é meramente administrativa. A informação dada à chefona, também. O ministro não tem dever de ofício de permitir que sua chefia pratique outro crime mais grave, o de obstrução de Justiça. Dilma certamente terminará sendo punida por isso e, quem sabe, visitar Curitiba antes mesmo do padrinho dela. Não tem por que manter Cardozo solto contando lorota. Tem que ser processado e, sabendo disso, Sergio Moro não fez bem em participar de mesa redonda com ele no sagrado recinto de Oxford.

SONORA Iolanda, com Chico Buarque de Holanda e Simone

https://www.youtube.com/watch?v=0Ezm_BxNcD4

 

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