Velhinhos transviados
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Velhinhos transviados

Da noite pro dia foi criada a Internacional dos Macróbios Malandros para proteger Maluf e Fujimori

José Nêumanne

27 de dezembro de 2017 | 12h16

Lépido no sábado, na quarta Maluf comportou-se na PF como um inválido Foto: Felipe Rau/Estadão

Vi Maluf ágil e serelepe comendo churrasco no Varanda Grill no almoço do sábado 16 de dezembro, 4 dias antes de se apresentar aparentando dificuldades de mobilidade que ninguém que o viu naquela tarde suspeitava que ele pudesse ter. Ou foi um caso de uma doença súbita e inesperada ou encenação em que foi exigido muito talento cênico de ator do político e de encenador de seu criminalista Kakay. A prisão de Maluf é importante, pois ele é a prova viva de que havia corrupção escandalosa nos governos militares durante cujo regime ele se tornou um ícone da malversação dos recursos públicos. Cármen Lúcia negou-lhe habeas corupus, mas a decisão ainda depende da votação dos outros 10 ministros do STF.

(Comentário no Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107,3 – na quarta-feira 27 de dezembro de 2017, às 7h30m)

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Abaixo, a íntegra da degravação do comentário:

Eldorado 27 de dezembro de 2017 – Quarta-feira

A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, nesta terça-feira (26), julgou incabíveis dois habeas corpus que foram pedidos em nome do deputado federal Paulo Maluf. Você acha que ela foi muito insensível à situação do condenado?

Um dos pedidos foi feito por um advogado da família de Maluf, Eduardo Galil, e o outro, por um advogado que não é conhecido pela defesa do deputado. Ao pedirem uma liminar para libertar Maluf, ambos alegaram que não seria possível a condenação pelo crime de lavagem de dinheiro porque já teria havido prescrição (esgotamento do prazo da justiça para a punição). Cármen Lúcia fundamentou as decisões afirmando que não é admissível habeas corpus contra decisão do próprio Supremo Tribunal Federal, de acordo com a própria jurisprudência da corte. Assim, os pedidos teriam “inviabilidade jurídica”. Além disso, quanto à alegação de prescrição do crime, Cármen Lúcia afirmou que o argumento não procede, pois os prazos processuais teriam transcorrido normalmente, conforme decidido pela Primeira Turma do STF.

A defesa de Maluf, em si, está aguardando uma decisão da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal sobre o pedido que fez para que o deputado possa cumprir a pena em casa, devido à má condição de saúde. O juiz responsável pelo caso ainda aguarda manifestações para tomar a decisão. Maluf foi condenado em maio pelo Supremo Tribunal Federal a 7 anos, 9 meses e 10 dias de prisão pelo crime de lavagem de dinheiro, por desvios milionários em obras viárias como Túnel Airton Senna, Avenida Água Espraiada e Avenida Roberto Marinho, em São Paulo, da época em que foi prefeito entre 1993 e 1996. O parlamentar começou a cumprir pena na quarta-feira 20 de dezembro e está desde a sexta-feira 22 no Centro de Detenções Provisórias do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.

Vi Maluf ágil e serelepe comendo churrasco no Varanda Grill no almoço do sábado 16 de dezembro, portanto 4 dias antes de ele se apresentar aparentando dificuldades de mobilidade que ninguém que o viu naquela tarde suspeitava que ele pudesse ter. Ou foi um caso de uma doença súbita e inesperada ou encenação em que foi exigido muito talento cênico de ator do político e de encenador de seu criminalista Kakay. Seja como for, a prisão de Maluf é importante, embora ele possa ser confundido atualmente com um réu de pequenas causas depois da roubalheira promovida por PT, PMDB, PSDB e pelos partidos do Centrão. Além disso, ele é a prova viva de que havia corrupção escandalosa nos governos militares durante cujo regime ele se tornou um ícone da malversação dos recursos públicos. A decisão de Cármen Lúcia, contudo, não é definitiva. Embora possa ser decisiva para resolver os empates de 5 a 5 em casos do gênero no STF.

O ex-presidente do Peru, Alberto Fujimori, pediu perdão pelos atos de seu governo, enquanto ainda internado em uma clínica. Há três dias, ele recebeu um polêmico indulto humanitário do presidente Pedro Pablo Kuczynski. Assim como no caso Maluf, o motivo foram razões humanitárias. Baixou um espírito natalino de amor aos velhinhos?

Acho que este é o caso de convocar o comentário do Rabugento.

SONORA GARGALHADA RABUGENTO

Em vídeo publicado em sua página no Facebook, o ex-mandatário peruano disse que reconhece ter desapontado o povo. “Sou consciente de que os resultados durante meu governo, de uma parte, foram bem recebidos, mas reconheço, por outro lado, que decepcionei outros compatriotas. A eles, peço perdão de todo o meu coração”, disse Fujimori, de 79 anos, que foi internado por problemas circulatórios e hipertensão.

SONORA 2712 FUJIMORI

O indulto a Fujimori, decretado na véspera de Natal, agravou a crise e provocou uma onda de protestos, inclusive pela renúncia de Kuczynski. O atual presidente justificou que o indulto foi para reconciliar o país antes que o ex-presidente morra na prisão. Ele também pediu que os peruanos aceitem a decisão e “virem a página”.

Alberto Fujimori, que cumpria uma pena de 25 anos por crimes de sequestro, abusos dos direitos humanos e corrupção, agradeceu a Kuczynski por lhe conceder o perdão e prometeu que, como homem livre, apoiaria o apelo do presidente para a reconciliação do país.

O caso é particularmente interessante para os brasileiros. Pois Kucczynski contou com votos de deputados fujimoristas que são maioria no parlamento peruano. Fujimori é acusado de sete mil mortes e de ter furtado seis bilhões de dólares durante seu governo durante o qual ganhou grande popularidade por ter acabado com o grupo terrorista de extrema esquerda Sendero Luminoso. Nisso assemelha-se ao perdão prévio a Temer e também antecipa o que pode acontecer em 2019, quando um presidente eleito poderá ter enormes dificuldades para governar por causa do Congresso.

Essa internacional de comiseração pelos velhinhos transviados do populismo de direita está em completo desacordo com o combate internacional à corrupção e à necessidade de uma justiça para todos que reina no mundo civilizado hoje.

O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, admitiu ontem que o Palácio do Planalto está pressionando os governadores e prefeitos a trabalhar a favor da aprovação da reforma da Previdência em troca da liberação de recursos do governo federal e financiamentos de bancos públicos, como a Caixa. Isso é sinceridade, burrice ou cinismo?

São as três coisas juntas. Marun negou que esteja promovendo “chantagem” com governadores e prefeitos e destacou que os financiamentos da Caixa “são ações de governo”. Afinal, o aparente sincericídio não passa de uma demonstração de truculência e exibição de poder e despudor.

SONORA 2712 MARUN

“Realmente o governo espera daqueles governadores que têm recursos a serem liberados, financiamentos a serem liberados, como de resto de todos os agentes públicos, reciprocidade no que tange à questão da (reforma da) Previdência”, disse o ministro. Segundo ele, o governo está pedindo apenas uma “ajuda” em troca dos votos pela reforma. “Financiamentos da Caixa Econômica Federal são ações de governo. Senão, o governador poderia tomar esse financiamento no Bradesco, não sei onde. Obviamente, se são na Caixa Econômica, no Banco do Brasil, no BNDES, são ações de governo, e nesse sentido entendemos que deve, sim, ser discutida com esses governantes alguma reciprocidade no sentido de que seja aprovada a reforma da Previdência, que é uma questão que entendemos hoje de vida ou morte para o Brasil”, justificou.  O ministro disse que os parlamentares ligados aos governadores também terão aspectos eleitorais positivos com os financiamentos aos governos locais. “Olha, não entendo que seja uma chantagem o governo atuar no sentido de que um aspecto tão importante para o Brasil se torne realidade, que é a modernização da Previdência”, afirmou. “Não é retaliação aos governadores, é pedido de apoio”, completou. Como revelou a Coluna do Estadão na semana passada, o novo ministro da articulação do governo Temer levantou todos os pedidos de empréstimos na Caixa por Estados, capitais e outras grandes cidades e condicionou a assinatura dos contratos à entrega de votos pelos governadores e prefeitos que exercem influência sobre os deputados.

O primeiro a ser pressionado foi o governador de Sergipe, Jackson Barreto (PMDB). “Veja bem, é uma ação de governo, sendo uma ação de governo, obviamente o nível de apoio que governador poder prestar a favor da reforma vai ser considerado nesta questão”, insistiu.

O toma lá dá cá do governo Temer é a triste constatação de que, mesmo numa causa justa como é a tentativa de salvar as contas públicas do desastre total por culpa do déficit previdenciário são usadas práticas indefensáveis dos pontos de vista da ética e da boa gestão democrática da coisa pública em nossa República sem vergonha.

O governo brasileiro declarou nesta terça-feira, 26, ‘persona non grata’ o encarregado de negócios da Venezuela no Brasil, Gerardo Antonio Delgado Maldonado, em retaliação à decisão do governo venezuelano, anunciada no sábado, de fazer o mesmo ao embaixador do Brasil em Caracas, Ruy Pereira. Foi feita a coisa certa?

Informações extraoficiais indicam que o diplomata venezuelano encontrava-se em solo brasileiro. Nesse caso, ele teria de deixar o País num prazo ainda a ser determinado, que costuma ser de 48 horas, mas pode variar. A medida foi, a meu ver, correta e ajuda a corrigir a rota equivocada assumida durante os governos do PT e do PMDB, com a anuência comprada do PSDB, que hoje comanda o Itamaraty de compadrio e anuência com a escalada da ditadura bolivariana no país vizinho. No entanto, ainda são preocupantes as notícias de que o ditador Nicolás Maduro continua avançando contra as liberdades democráticas afundando um país que foi um exemplo de democracia à época em que os outros países hoje democráticos como Brasil, Argentina e Chile afundavam na longa noite de trevas das ditaduras militares.

Este foi o melhor Natal para o varejo brasileiro desde o Plano Real, segundo números divulgados pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). Esta boa notícia indica que outras ainda estão por vir?

A manchete do Estadão hoje – Vendas de Natal têm melhor desempenho em sete anos – traz de fato bons indícios, embora ainda não sejam suficientes para recuperar as perdas que o País sofreu, em especial os desempregados depois das lambanças da aliança da cleptocracia com populismo dos governos da aliança PT PMDB com a ajuda do Centrão e a oposição fajuta encenada pelo PSDB, tudo em troca de propinas.

As vendas na semana que antecedeu o Natal cresceram 10,89% em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com a CNDL, que constatou o resultado com base em dados levantados pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil). “Foi o melhor resultado para os lojistas desde a estabilidade econômica, com a adoção do Plano Real”, diz o presidente da CNDL, Roque Pellizzaro Junior.

Os números para todo o mês de dezembro também mostram alta nas vendas em relação a 2009. O resultado acumulado entre os dias 1º e 25 do mês registrou um crescimento de 9,48%, também o melhor desempenho desde 1994, com a adoção do Plano Real. “Tínhamos uma expectativa muito otimista, que também se mostrou acertada”, conta Pellizzaro. A CNDL apostava em um crescimento de 10% nas vendas do mês de dezembro.

Para Pelizzaro, o bom resultado reforça o otimismo para 2011. A estimativa da CNDL é que o segmento lojista mantenha até 15% dos funcionários temporários, contratados para o Natal. “O bom lojista sabe que terá de manter o bom funcionário para não perder vendas em 2011, e isso contribui de forma positiva para toda a economia brasileira”, disse.

SONORA Os velhinhos transviados Carinhoso