Unidos pela impunidade
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Centrão cobra de Temer apoio à prioridade da criação do distritão e do fundo partidário para campanha

José Nêumanne

07 Agosto 2017 | 16h09

 

Sábado Temer ouviu conselhos prudentes de Maia. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Aliados que se consideram credores de Temer na votação de quarta querem que ele retalie quem votou contra, mas a lei de talião na política denota fraqueza e de burrice. Minha avó dizia que se conselho fosse bom se vendia na farmácia, mas entre Marun, Mansur e Parondi de um lado e Maia do outro, é preferível ouvir Maia. Esse pessoal do Centrão só quer saber de venha a nós e ao vosso reino nada. É gente desqualificada que pode por tudo a perder. E agora está apostando todas as fichas na impunidade generalizada. Para Temer, Lula, Dilma, todos os lados, os que Janot chama de andar de cima.

(Comentário no Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107,3 – da segunda 7 de agosto de 3017, às 7h30m)

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Abaixo, a íntegra da degravação do comentário:

Eldorado 7 de agosto de 1917

Pressionado pela tropa de choque do Centrão na Câmara para demitir aliados de deputados que não o apoiaram na votação de quarta-feira para livrá-lo da abertura de investigação contra ele por corrupção passiva, Temer ouviu de seu principal aliado na votação, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que precisa tocar a bola pra frente e esquecer o passado. Você acha isso possível e aconselhável?

Após a denúncia por corrupção passiva ser rejeitada por 263 deputados na semana passada, o presidente Michel Temer fez ontem um afago ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e aceitou suas sugestões para não ceder antes da hora na negociação da reforma da Previdência.

Após o arquivamento da denúncia contra o presidente Michel Temer, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), diz que ninguém conduziria melhor o processo do que ele. Para o deputado, “empurrar Temer para fora da cadeira” mancharia sua biografia. Ele reconhece que a base se desgastou e diz que Temer “deu sorte” por ter a mesma agenda econômica que a sua. Maia prevê resolver a reforma da Previdência até outubro.
Em reunião no Palácio do Planalto, da qual também participaram ministros, Temer concordou com as observações de Maia e deu sinais de que vai transformá-lo numa espécie de articulador da reforma, curando feridas deixadas no relacionamento dos dois no processo de votação da denúncia.

O presidente disse ao Estado, em entrevista publicada no sábado, que as mudanças na Previdência poderiam se resumir à fixação da idade mínima para aposentadoria (65 anos para homens e 62 para mulheres) e ao corte dos privilégios do funcionalismo. Na reunião de ontem, porém, ouviu de Maia que é preciso discutir também um modelo de transição para os que ingressaram no serviço público antes de 2003. O deputado defendeu uma campanha publicitária para mostrar, em termos didáticos, que os aposentados podem ficar sem receber, como no Rio, se nada for feito agora.

A lei de talião na política é sinal de fraqueza e de burrice. Minha avó dizia que se conselho fosse bom se vendia na farmácia. Mas entre Marun, Mansur e Parondi de um lado e Maia do outro, é preferível ouvir Maia. Esse pessoal do Centrão só quer saber de venha a nós e ao vosso reino nada. É gente desqualificada que pode por tudo a perder. E agora está apostando todas as fichas na impunidade generalizada. Para Temer, Lula, Dilma, de todos os lados, mas sempre daquele que Janot chama de andar de cima.

Manchete da Folha de S. Paulo dá conta hoje que novas delações podem atingir Temer, segundo Janot. Se a primeira acusação de Janot já foi considerada inepta, quais são as expectativas dessas?

Janot disse que “colaborações em curso podem ser usadas contra Michel Temer” para apurar se o presidente obstruiu a Justiça e integrou organização criminosa. PGR negocia delações com Eduardo Cunha e Lúcio Funaro. “Restam flechas”, disse Janot sobre novas acusações até acabar seu mandato em 17 de setembro.

Em viagem neste domingo, 6, a Manaus para acompanhar a eleição suplementar para o governo do Amazonas, o ministro Gilmar Mendes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) disse ao Estado/Broadcast que o Supremo Tribunal Federal ficou a reboque da Procuradoria-Geral da República (PGR) no caso da Lava Jato e desejou ao procurador-geral Rodrigo Janot “uma boa viagem”. Gilmar afirmou, ainda, antes de jantar ontem com Michel Temer, que defende um regime semipresidencialista para o País.

Janot está contando com o ovo no fiofó da galinha. Até agora não se sabe sequer que Cunha e Funaro terão homologadas suas delações. Imagine se elas terão validade. Ademais, quase todo o período em que Cunha está preso Temer estava na presidência e portanto garantido constitucionalmente contra investigações de crimes cometidos antes. Essa história de metáfora silvícola na era do computador parece meio ridícula. Além do mais, pegou muito mal pro Janot essa revelação de que seu amigo subprocurador Marcelo Miller compareceu a reuniões na PGR como advogado de Joesley seis dias depois de ter pedido demissão do MPF. A premiação exagerada da delação de Joesley torna-se ainda mais discutível e obscura depois desse episódio, que Janot não consegue explicar direito.

O ministro da justiça, Torquato Jardim, avaliou no sábado que a operação integrada de segurança em comunidades do Rio de Janeiro “acaba com o mito do crime organizado poderoso”. Se era fácil assim, por que o governo não tomou essas providências antes?

O ministro disse essa patacoada em entrevista coletiva à imprensa ao lado do chefe de Gabinete de Segurança Institucional, Sérgio Etchegoyen, e do secretário estadual de Segurança Pública, Roberto Sá.

“Ele não é nem organizado nem poderoso. Ele não resiste à ação legal, obediente à lei, inerente ao Estado democrático de direito, quando se unem os esforços de todos os entes nacionais e federais da União e dos estados. Tanto é que a resistência é mínima”, disse o ministro.

Torquato Jardim reforçou que os resultados da operação são maiores do que números de prisões e apreensões e disse que “governo unido pode, faz e acontece”. A operação, que recebeu o nome de Onerat, cumpriu 15 mandatos de prisão, sendo nove de criminosos que já estavam presos. Mais três pessoas foram presas em flagrante e foram apreendidas três pistolas, duas granadas, quatro radiotransmissores, 16 carros e uma motocicleta.

SONORA 0708 MAIA

Duas pessoas morreram em confronto com a polícia, segundo a Secretaria Estadual de Segurança Pública.

Torquato Jardim é um insensato com cara de insensato e voz de insensato. Repete a patacoada de Alckmin, que seu antecessor no Ministério seguia de afirmar que o PCC é uma invenção da imprensa. Era o que faltava depois da história trágica do bebê morto na barriga da mãe por incompetência e desídia do Estado brasileiro.

O Exército venezuelano frustrou ontem uma rebelião contra o presidente Nicolás Maduro no Forte Paramacay, na cidade de Valencia, no norte do país. Segundo o governo, duas pessoas morreram em confrontos dentro da base. Até agora as pressões internacionais não têm ajudado a resolver a crise na Venezuela. Até quando continuará esse banho de sangue em nossa fronteira do norte?

Os chavistas classificaram a ação de “terrorista” e afirmaram que oito pessoas foram presas. O levante começou às 5 horas (6 horas em Brasília), após a divulgação nas redes sociais e em vários meios de comunicação de um vídeo gravado na 41.ª Brigada Blindada de Valencia, no qual Juan Caguaripano, capitão da Guarda Nacional Bolivariana (GNB), declara uma “rebelião” contra o governo.  “Nós nos declaramos em rebelião legítima, denunciamos a tirania assassina de Nicolás Maduro. Esclarecemos que isto não é um golpe, esta é uma ação cívica e militar para restaurar a ordem constitucional”, afirma Caguaripano.

Imediatamente, o forte foi cercado por tanques e helicópteros. Em seguida, homens armados entraram na base e houve troca de tiros. “Os invasores foram repelidos imediatamente”, disse o general Remigio Ceballos.

Logo nas primeiras horas da manhã, após a notícia da revolta no Forte Paramacay, a população de Valencia saiu às ruas para tentar ajudar os rebeldes, mas a GNB reprimiu os protestos. Segundo o jornal El Nacional, Ramón Rivas, líder local do partido Avanzada Progresista, morreu no confronto. Se confirmada pela Procuradoria, aumentará o número de mortos desde o início dos protestos contra Maduro, em 1.º de abril, para 122.

O presidente Michel Temer divulgou, em sua conta no Twitter, um vídeo sobre a suspensão da Venezuela pelo Mercosul e disse que o país será recebido “de braços abertos” pelo bloco quando estiver de volta à democracia. “Nossa mensagem é inequívoca, não há mais espaço para alternativas não democráticas na América do Sul”, afirmou.

SONORA 0708 B TEMER

A posição do Brasil é correta. Até o papa Francisco recuou de sua falsa neutralidade, que favorece Maduro. Mas o mundo precisa fazer algo mais. A China devia sair do muro e Putin deixar de proteger Maduro. Espera-se, sobretudo, ação mais firme da Espanha.

Na sexta-feira, a coluna do Broadcast publicou que Nelson Tanure e Cerberus cogitam União para aporte bilionário na Oi. Ou seja, Kassab e Juarez Quadros não desistiram de usar nosso suado dinheirinho para pagar dívidas e compensar acionistas da Oi. Isso pode?

Nelson Tanure é conhecido aproveitador de massas falidas. A Cerberus é representada por Ricardo K, que já sinalizou para a Anatel que poderia entrar com até R$ 3 bilhões, junto com outros fundos na Oi. É o que revelou a nota.
O que me interessa nessa história, que venho acompanhando, é se vão garfar da União. Os incertos R$ 3 bilhões ou R$ 8 bilhões de capital novo na Oi, mesmo se confirmados,  não vão resolver o problema da tele falida, que deve R$ 65 bilhões. Esses R$ 8 bilhões vão ser dragados imediatamente pelos credores da Oi. Por isso, o plano de garfar a União continua de pé. A dívida/multa da Oi com a Anatel, é de R$ 20 bilhões e tem de ser paga.
Já disse em outros comentários que falta transparência nessa negociação que está longa demais. O escritório Wald está nos dois lados. Foi nomeado pelo juiz da 7ª Vara Empresarial do Rio – o juiz Fernando Viana – para ser o único administrador da recuperação judicial da Oi e também é advogado de Tanure, sócio à frente da Oi.
Uma nota do Lauro Jardim, na sua coluna de O Globo, publicada em abril, punha mais lenha nessa fogueira. “Tudo que envolve a Oi parece estar marcado por questões mais complicadas do que aparentam à vista”. Essa nota cita que o irmão do juiz Viana é investigado pela Receita num caso de desvio de R$ 1 bilhão. E que o juiz Viana foi pego em um aúdio, gravado com autorização judicial, conversando com o seu  irmão, sobre o esquema de corrupção. O juiz Viana esclareceu ao Lauro Jardim que essas acusações foram todas arquivadas e essa notícia que ele diz ser inverídica tem como o objetivo intimidá-lo a não prosseguir com a sua posição de aplicar a lei de forma rigorosa e transparente no caso da Oi.
Pode tudo, menos a União, eu, você, os 14 milhões desempregados, os que estão na fila dos hospitais sem atendimento, os bebes baleados na barriga da mãe por falta de segurança pública,  financiar acionistas da Oi.
SONORA VIDEO Águas de março adaptada

Se não der pra usar o vídeo, use Indecisão, com Nilton César

https://correio.grupoestado.com.br/owa/ – Comece do começo