Um caso escabroso
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Um caso escabroso

Negligência de Polícia Federal, Ministério Público e CNJ sobre suicídio de ex-reitor é criminosa

José Nêumanne

04 de dezembro de 2017 | 18h06

Suicídio do ex-reitor Cancellier é nódoa indelével de nossas instituições republicanas Foto: Henrique Almeida/Agecom/UFSC

O novo diretor geral da Polícia Federal, Fernando Segóvia, não cuida do caso escabroso do suicídio do ex-reitor da UFSC porque está ocupado em pedir privilégios para a instituição na reforma da previdência procurando pessoalmente o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que, aliás, é suspeito da Lava Jato, onde figura como Botafogo na lista de propinas da Odebrecht. E também se ocupa em dar entrevistas disputando poder de investigação com o Ministério Público Federal. Não se sabe também das providências tomadas pela vigilante Cármen Lúcia na presidência do Conselho Nacional de Justiça nem de Raquel Dodge, procuradora-geral da República, que não pediram explicações à juíza e ao promotor que decretaram a prisão que levou o ex-reitor ao suicídio.

(Comentário no Jornal Eldorado da Rádio Eldorado – FM 107,3 – na segunda-feira 4 de dezembro de 2017, às 7h30m)

 

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Abaixo, a íntegra da degravação do comentário

Eldorado 4 de dezembro de 2017 Segunda-feira

Que providências estão sendo tomadas para apurar o episódio pra lá de suspeito da prisão que levou o ex-reitor da Universidade Federal de Santa Catarina ao suicídio?

Em reportagem publicada ontem no Estadão, Luiz Maklouf de Carvalho trouxe a lume um dos casos mais revoltantes de abuso de autoridade de nossa história recente. O texto resume muito bem, como sói ocorrer com as reportagens de Maklouf, e começa com uma citação literária e continua como uma denúncia. Vamos a ele: Alguém devia ter caluniado Luiz Carlos Cancellier de Olivo, porque foi preso uma manhã, sem que houvesse feito alguma coisa de mal. O início de O Processo é lembrado pelo desembargador Lédio Andrade, do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, ao comentar, ainda cheio de dor, o suicídio do reitor da Universidade Federal da Santa Catarina (UFSC), que completou dois meses neste sábado, 2. “Nem Kafka pensou que uma sucessão de arbitrariedades pudesse levar a algo tão brutal”, disse Andrade, também professor da UFSC.

Cancellier, o Cau, seu amigo desde os 9 anos, foi preso pela Polícia Federal, na chamada Operação Ouvidos Moucos, na manhã de 14 de setembro. Estava sendo investigado, sem saber, pela delegada Érika Mialik Marena, ex-coordenadora da Operação Lava Jato, em Curitiba, e depois, da Ouvidos Moucos, em Florianópolis.

A suspeita sobre o reitor de 59 anos, de nenhum antecedente criminal, era a suposta tentativa de obstruir uma investigação sobre desvios no programa de educação a distância – feita, principalmente, por um declarado desafeto do reitor, o corregedor-geral da UFSC, Rodolfo Hickel do Prado, integrante da Advocacia-Geral da União em Santa Catarina. No depoimento que prestou no inquérito da PF, o próprio Prado contou sua contrariedade por Cancellier, em medida administrativa de redução de custos, ter cortado uma gratificação de R$ 1 mil. A delegada nem sequer cogitou que poderia haver possibilidade de retaliação pessoal. Prado não atendeu ao celular indicado como dele pela UFSC.

A prisão foi desnecessariamente espetaculosa, como costuma e continua a acontecer: segundo a própria PF, 115 policiais foram mobilizados para prender Cancellier e outros seis professores da UFSC. No dia da prisão, a PF manchetou, em seu site, em um erro cavalar, que a Ouvidos Moucos combatia “desvio de mais de R$ 80 milhões”. Esse valor, como depois explicou a delegada Érika, sem mais aquela, era o total de repasses do Ministério da Educação para o programa de ensino a distância ao longo de dez anos, 2005 a 2015, quando Cancellier não era o reitor (só o foi a partir de maio de 2016).

No mesmo dia 14 de setembro, depois de depor na PF, o reitor, sem que até agora ninguém tenha explicado o motivo, foi levado, como se condenado, para a penitenciária de Florianópolis. Teve os pés acorrentados, as mãos algemadas, foi submetido, nu, à revista íntima, vestiu o uniforme de presidiário e ficou em uma cela na ala de segurança máxima. Cardiopata, passou mal, e foi examinado e medicado por seu cardiologista. Trinta horas depois, a pedido do advogado Hélio Rubens Brasil, uma juíza federal relaxou a prisão.

Dezoito dias depois, 2 de outubro, Cancellier se matou, com 59 anos, atirando-se do sétimo andar de um shopping de Florianópolis. “A minha morte foi decretada quando fui banido da universidade!!!”, escreveu Cancellier em um bilhete que deixou.

O novo diretor geral da Polícia Federal não cuida do caso porque está ocupado em pedir privilégios para a instituição na reforma da previdência procurando pessoalmente o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que, aliás, é suspeito da Lava Jato, onde figura como Botafogo na lista de propinas da Odebrecht. E também se ocupa em dar entrevistas disputando poder de investigação com o Ministério Público Federal. Não se sabe também das providências tomadas pela vigilante Cármen Lúcia na presidência do Conselho Nacional de Justiça nem de Raquel Dodge, procuradora geral da República.

Que explicação pode ser dada pelo gozo pelo rei dos ônibus do Rio, Jacob Barata, de um foro especial que o exime de cumprir prisões decretadas em primeira instância e permite que ele chegue à última sem passar por nenhum tribunal antes do Supremo?

Dizem por aí que atrás de um grande homem há sempre uma grande mulher. O caso do ministro do Supremo Gilmar Mendes, contudo, é excepcional, pois na sua retaguarda não há só uma, mas três mulheres. A primeira delas é a própria, Guiomar Mendes, próspera advogada criminal, sócia de uma das mais abastadas bancas penais do mundo, a de propriedade do criminalista carioca Sérgio Bermudes. Graças a seus dotes profissionais, todos os seus abençoados clientes têm uma espécie de habeas corpus permanente. E este é o caso dos sócios de empresas de ônibus no Rio de Janeiro que, acusados de percorrer inúmeros artigos co Código Penal vigente sempre que são presos são automaticamente soltos. O ministro Gilmar Mendes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, não perdoa, solta. É o famoso deixa que eu solto. A segunda mulher é a presidente do Supremo, Cármen Lúcia, sempre disposta a distribuir os habeas corpus do escritório da qual a mulher do ministro é a representante em Brasília diretamente para o mesmo dos 11 ministros, sem redistribuí-los, mesmo depois que a Procuradoria Geral da Republica o pôs sob suspeição. E tem mais: o pedido de suspeição, ele mesmo, fica preso na gaveta da soit disant cruzada contra a corrupção com a mesma pertinácia com que Sua Excelência o soltador oficial da República mantém os felizes privilegiados do superforo especial e pessoal à distância do inferno prisional brasileiro do qual não escapam figurões da alta burguesia como Marcelo Odebrecht nem líderes políticos incontestes como Eduardo Cunha e Sérgio Cabral. A terceira mulher, Raquel Dodge, elevada ao posto de procuradora-geral no lugar de Rodrigo Janot por Michel Temer, rompendo uma tradição que vinha se confirmando da escolha do mais votado entre os procuradores candidatos ao cargo, coincidentemente por indicação e insistência do citado ministro, que, como ficou p´publico e notório, é freqüente comensal dos banquetes palacianos.. É assim que a banda toca no Planalto Central do País nesta Republica do que quem tem mais chora menos.

Que novidades surgiram neste fim de semana quanto à momentosa novela da retirada do PSDB do governo Temer?

Temer esteve ao lado de Geraldo Alckmin neste fim de semana para a inauguração de casas em Limeira, no interior paulista. O PSDB ocupa três ministérios atualmente. Temer declarou que conversará com o tucano em ‘momento próprio’.

TEMER 0412 SAIDA

+ Durante pronunciamento, o governador Geraldo Alckmin disse que o PSDB fará a política “do bom entendimento”.

ALCKMIN 0412 SAIDA

A respeito do assunto lerei o e-mail que me foi enviado pelo ministro de Relações Exteriores sobre críticas que fiz a respeito de sua insistência em ficar no ministério de Temer.

Você diz que falo muito sobre PSDB e faço pouco no ministério que ocupo. Admito que o PSDB fornece um manancial fartíssimo de assuntos da “piccola politica”, mas só trato disso quando  provocado.

Tenho, sim, legitimidade para falar de política interna: sou senador.

E também sobre o PSDB, partido do qual sou vice-presidente. Talvez o meu mal seja dizer com franqueza o que penso e não me esconder atrás dos “off the record” que valem a muitos colegas meus a reputação de “fontes”. Considero, entretanto, desproporcional a atenção que a mídia dá hoje à pauta miserável do “embarque versus desembarque”. Desde minha posse, dedico-me apaixonadamente ao meu trabalho, com o auxilio de uma equipe de primeira ordem. Aqui vão, muito por alto, alguns assuntos que me têm ocupado. Engajei-me na eliminação de entraves que distorceram o Mercosul, sem medo de contrariar interesses protecionistas e corporativos. Ajudei a impulsionar a agenda de negociações externas do bloco, notadamente com a União Europeia, os países da Aliança do Pacífico, a Índia, o Canadá e vários outros. Busco concluir um acordo comercial amplo com o México, segunda economia da América Latina, cujo enorme dinamismo econômico procura parceiros fora do NAFTA.

Reafirmei a vocação universalista da nossa política externa ao cumprir uma extensa agenda de viagens para contatos parceiros tradicionais do mundo desenvolvido, como Estados Unidos, Europa e Japão, e do mundo em desenvolvimento, China e Índia. Abri novas frentes na África, que andava esquecida, e no Sudeste Asiático, cuja pujança não vinha despertando a atenção devida. Retomei o abandonado Forum IBAS, que reúne nada menos que as três grandes democracias multiétnicas do mundo em desenvolvimento, Brasil, Índia e África do Sul.

Fiz tudo isso com base nos princípios e valores constitucionais, que dão à nossa política externa legitimidade e orientação segura. Dei voz ao Brasil em foros multilaterais sobre questões tão diversas como mudança do clima, migração, racismo, desarmamento nuclear. No Mercosul, na OEA e em outros foros, o Brasil retomou partido pela democracia na Venezuela, como deve ser. Valorizo o patrimônio diplomático conquistado por gerações de servidores do Itamaraty, cujas carreiras são ora objeto de projeto de reforma para devolver-lhes perspectivas efetivas de reconhecimento funcional. Prezo meu emprego? Sim. E o exerço com muito orgulho. Sempre trabalhei para viver, mas não sou, infelizmente, o “multimilionário” que você imagina. Meus bens imóveis, herdei dos meus pais: três propriedades rurais na região de São José do Rio Preto e um apartamento em Higienópolis. Judiciosamente administrados, financiaram a casa onde moro em São Paulo e um apartamento em Rio Preto. Vivo confortavelmente, mas sem luxo.

Vindo você a Brasília, teria imenso gosto em recebê-lo para contar o que estou fazendo no Itamaraty.

Aloysio Nunes Ferreira Ministro das Relações Exteriores

Os argumentos do ministro não mudam minha opinião, mas ficam aqui registrados.

E o que você me diz de outra saga, a da Oi?

Muda o presidente e tentativa de tungagem continua. O Estadão, em matéria de Cynthia Decloedt e Fernanda Nunes, diz que o novo presidente da Oi, Eurico Teles, acredita na aprovação do plano de recuperação judicial da Oi no dia 19 de dezembro. Ok!! Sem problemas! Que resolvam entre eles, credores e acionistas. Mas, quanto as multas/ dívidas da Oi com a Anatel / União, já transitada em julgado, o presidente da Oi acredita que a AGU, da doutora Grace, vai aprovar o pagamento de uma entrada de 20% e o restante em 239 vezes!! Que moleza, que escândalo! E eu que nem dívida tenho para pedir essa mamata de pagar em 20 anos!!!!

SONORA Mamãe em quero

https://www.letras.mus.br/carmen-miranda/135476/

 

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