Um bom começo?
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Um bom começo?

Temer e Moraes caem na real, inflação se pendura no teto e juros diminuem. Quedas promissoras!

José Nêumanne

13 de janeiro de 2017 | 17h18

Temer e Alexandre de Moraes combinaram que as facções não são ficção. Tomara que seja um princípio promissor.

Pelo menos Temer e Alexandre de Moraes combinaram que as facções não são ficção.

Sexta-feira, 13 de janeiro de 2017, 17 horas

De Lisboa, aonde Gilmar Mendes foi levado por Michel Temer, José Paulo Cavalcanti Filho, meu amigo Zepaulim, me escreveu a seguinte mensagem: “Há uma piada americana que pergunta o que significam 400 advogados amarrados, no fundo do Oceano Pacífico. Resposta: um bom começo. Pensei nela ao ouvir seu comentário hoje cedo na Rádio Estadão. O que será esse juro em 13%? Um bom começo!”.

Pois sim! Esta noite dormi embalado por três bons presságios. A inflação ficou pendurada no teto, o Copom reduziu a taxa de juros em 0,75 ponto porcentual (uau!!!) e Michel Miguel e Alexandre de Moraes acordaram para a existência das 27 facções criminosas que mandam nas cadeias e que, nestas, pior do que a insuportável superpopulação é a insuperável corrupção. Diante do balcão do Café Aurora, na Praça do Lions, em Campina Grande, minha turma sorveu um bom (e quente!) café comentando que Suas Excelências andam a descobrir o Brasil de bicicleta. Ainda assim, não será um bom avanço o Rei do Cagaço (título que lembra o da peça “Lampiaço, o Rei do Cangão”, peça de meu amigo Zé Berra) sair do mutismo sobre a crise penitenciária, ao qual foi levado pelo conselho de que pulasse fora, porque o problema não é dele (imagine se não é!) e sairia na urina (que palpite infeliz!)? Partir do “acidente pavoroso para a “pavorosa matança” foi muito mais do que um roque de palavras ou um raciocínio enrolado. Foi uma visão do inferno, que pode antecipar ações com consequências indispensáveis. Faltam as reformas da previdência, do emprego e das cadeias. Falta Suas Excelências aderirem à Constituição de Capistrano de Abreu, nas conformidades da qual “todo brasileiro precisa ter vergonha na cara e revoguem-se as disposições em contrário”. Mas, ainda assim, espantei os pesadelos pelo menos até a próxima ideia de jerico de algum figurão de nossa República dos mequetrefes. Ai, meu Deus, com o perdão do bom bolero, “hasta quando?”

*Jornalista, poeta e escritor

Ouça aqui o bolero cubano Quizás, quizás, quizás, com A. Henríquez

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