Tudo em nome da honra, mas que honra?

Tudo em nome da honra, mas que honra?

Vinte senadores negaram-se a cumprir a lei da transparência e esconderam documentos que provam sigilo do orçamento paralelo em que mostraram a face velhíssima da nova política

José Nêumanne

12 de maio de 2021 | 20h10

Os senadores Ciro Nogueira, chefão do Centrão, e Fernando Bezerra, líder do governo no Senado, mandam a lei às favas para garantir o sigilo do orçamento clandestino do anspeçada Jair. Foto: Jefferson Rudy/Agência Estado

O repórter Breno Pires, da Sucursal do Estadão em Brasília, deu sequência a sua saga na pesquisa do furo espetacular que deu revelando o orçamento clandestino de Bolsonaro e do Centrão, ao pedir acesso a 101 ofícios que revelam as negociações com as quais ficaram acertadas as porções que couberam a 20 senadores. Acredite quem quiser. Todos esses senhores negaram-se a cumprir a lei e o fizeram alegando legítima defesa da honra do Estado e das próprias, de seus familiares. Honra, mas que honra é essa que eles mesmos enxovalham diariamente, inclusive nesse episódio de corrupção explícita que está sendo apelidado de tratoraço e, mais apropriado ainda, de bolsolão? O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra, abocanhou 125 milhões, só para ficar em um exemplo.

 

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